Copa estende tapete pra 2016

Olimpíada do Rio terá orçamento e estrutura bem maiores do que o Mundial deste ano

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Templo. Maracanã, palco da cerimônia de abertura do Pan-Americano de 2007 (E), já estava reformado para a final da Copa neste ano
Adriana Lorete
Templo. Maracanã, palco da cerimônia de abertura do Pan-Americano de 2007 (E), já estava reformado para a final da Copa neste ano

Não poderia ter acontecido um evento prévio melhor para os Jogos Olímpicos do Rio do que a realização da Copa do Mundo no Brasil, dois anos antes. Em termos de estrutura e orçamento, a competição de 2016 é bem mais grandiosa, mesmo se concentrando em uma única cidade. Áreas de prestação de serviço e hospitalidades foram as que mais ganharam expertise.

Presente nas Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014 e nas Olimpíadas de 2012, a Upgrade Hospitality, que também participa do processo de contratação para atuar em 2016, fez um diagnóstico da competição de futebol, que terminou no mês passado. Entre os pontos avaliados, a capacitação de pessoal se destaca.

“Foram criadas dez categorias profissionais para ser registradas. Existe o padrão camarote, de lounge, de restaurantes, de apoio logístico. Essas pessoas eram muito ligadas ao marketing, à hotelaria, à gastronomia, um mix que não existia no Brasil. Agora, eles podem trabalhar em estádios e outros equipamentos esportivos”, avalia o CEO da empresa no Brasil, Fernando Prestes Maia.

Com a realização de um evento de grande porte aqui, muitos fornecedores precisaram se adequar a um padrão internacional que, até então, era desconhecido, principalmente, com relação a infraestrutura e planejamento. Órgãos públicos também precisaram se ajustar, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que teve forte atuação nos estádios da Copa incorporando novos padrões e práticas exigidos pela Fifa.

Turismo. A hospitalidade e a exuberante beleza do país encantaram os estrangeiros. Pesquisa encomendada pela Prefeitura do Rio de Janeiro mostrou que 98% dos turistas recomendariam o destino a familiares e amigos. Estima-se que a cidade tenha recebido 500 mil estrangeiros e 450 mil visitantes de outros Estados durante o Mundial.

“Acho que o sucesso da organização da Copa ajudou, e vai ajudar, na organização da Olimpíada”, disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach. “Pela primeira vez, o Brasil mostrou seu verdadeiro potencial humano, de brasilidade, a geografia, a natureza, a felicidade, alternativas de desenvolvimento econômico, aceitação universal dos povos. É a economia da alegria”, ressalta Maia.

Confiança

“Acho que o sucesso da organização da Copa ajudou, e vai ajudar, na organização da Olimpíada. Na minha visita no último fim de semana da Copa, fiquei muito mais confiante e otimista. O Brasil percebeu que dá conta.”

Thomas Bach - Presidente do COI

Consequências e críticas

Política. Quando precisou ser rápido, o Congresso Nacional atuou com agilidade. Para atender as exigências da Fifa, foi aprovada a Lei Geral da Copa, que, entre outros pontos, liberou a venda de bebida alcoólica dentro das arenas. Além dessa lei, o Regime Diferenciado de Contratação acelerou a execução das obras de infraestrutura.

Economia.  Ainda é cedo para avaliar o impacto da Copa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O que se sabe é que o segundo trimestre foi acelerado, aproveitando-se do momento do mercado.

Sustentabilidade. Falava-se, antes, que seria uma Copa verde. Os estádios foram projetados com a preocupação de reaproveitar a água das chuvas e transformar energia solar em elétrica. Porém, não foi possível neutralizar a quantidade de poluição gerada.

Opinião. “O padrão Brasil é bom, mas não é o suficiente para levar para um mercado de primeiro mundo. Tem que se internacionalizar um pouco mais”, avalia o CEO da Upgrade Hospitality, Fernando Prestes Maia

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