Um mês, algumas versões e nenhuma resposta concreta

No dia 3 de julho, alça de viaduto caiu e matou duas pessoas; causa do acidente ainda é mistério

iG Minas Gerais | Joana Suarez |


Escavação em torno do pilar já começou e pode apontar fatos conclusivos
MOISES SILVA / O TEMPO
Escavação em torno do pilar já começou e pode apontar fatos conclusivos

O dia 3 de julho está marcado como data de uma das maiores tragédias da capital mineira. Há um mês, a alça sul do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, na região de Venda Nova, caiu sobre quatro veículos. Duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas. A pergunta que todos se faziam momentos depois de ver a estrutura no chão permanece até hoje: o que causou a queda? Conflito de versões, demora na conclusão das investigações e a retirada de moradores do local ao lado da estrutura que permanece de pé só contribuíram para aumentar o clima de insegurança em toda a população da cidade.

O laudo da Polícia Civil, que poderá indicar algumas respostas, deve demorar. O prazo para a conclusão, que terminaria amanhã, será estendido por mais 30 dias. Enquanto isso, o que se tem até o momento são apenas transtornos. A principal ligação da região Norte continua fechada para o trânsito, causando longos congestionamentos nos desvios e prejudicando os comerciantes da região. Os moradores vizinhos ao viaduto tiveram que sair de suas casas no último domingo, sem data para voltar.

Após divulgar nota autorizando a demolição “em caráter de urgência” do que restou do viaduto, o prefeito Marcio Lacerda voltou atrás e afirmou que vai aguardar o resultado do inquérito para decidir o que será feito em relação às famílias e à recuperação do viaduto.

Já a perícia em um dos pilares do viaduto, que afundou seis metros, começou somente anteontem. O diretor do Instituto de Criminalística, Marco Paiva, explicou que, nesta etapa, será possível confrontar o projeto da obra com o que realmente foi executado, além de entender o que aconteceu com o pilar, o bloco e as estacas da fundação.

Conforme o vice-chefe do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Bento Ferreira, quando se conhece a área da fundação, as impressões saem do campo das hipóteses. “A perícia vai poder determinar o tipo de colapso e como o bloco e as estacas se comportaram. Cada forma de ruptura vai indicar um tipo de deficiência, se foi uma fundação mal-executada ou uma deficiência no projeto”, destacou.

Na semana passada, a construtora Cowan divulgou parecer técnico no qual a causa do desabamento seria a falta de aço nesse bloco, prevista no projeto executivo, e recomendando a demolição da segunda alça. A Consol, que fez o estudo, contestou a declaração e encaminhou às autoridades a sua análise da obra, apontando divergências. “A certeza que temos até agora é que a causa ainda não foi sacramentada. O laudo da Cowan é parcial, e se tivesse só 10% de aço já tinha caído há mais tempo”, afirmou o engenheiro do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias Técnicas (Ibape-MG) Clemenceau Saliba Júnior.

Na avaliação de especialistas, a outra alça do viaduto pode ser reconstruída. “Normalmente, um acidente desse nível não tem só uma causa. A armadura que foi colocada no bloco pode não ter sido suficiente, mas sempre tem como recuperar. Essa ideia de demolir vai contra os princípios da engenharia”, afirmou o engenheiro civil e especialista em estruturas e patologia de construções Ubirajara Camargos.

Posições

Oficial.  Após o dia da tragédia, o prefeito só voltou a falar sobre o assunto anteontem, em agenda pública. A reportagem tentou entrevista com ele e com fontes da Secretaria Municipal de Obras, mas não obteve retorno. Empresas. A construtora Cowan se pronunciou apenas na semana passada. Já a Consol tem evitado falar sobre o assunto desde que foi acusada pela construtora.

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