Peso do ‘bolso’ é questionado

Cientistas políticos e economistas divergem sobre a influência de índices, como inflação, no voto

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

No bolso. Apesar da inflação, alguns especialistas apontam que programas sociais garantem voto
CHARLES SILVA DUARTE
No bolso. Apesar da inflação, alguns especialistas apontam que programas sociais garantem voto

Não é difícil ouvirmos que “a economia pode decidir uma eleição”, e o principal vilão apontado por quem partilha esse pensamento é a inflação. Neste ano, o desempenho do principal indicador econômico – ou pelo menos o mais sensível ao cidadão – já foi incorporado aos discursos dos candidatos de oposição na tentativa de roubar os votos da candidata à reeleição.

“Os altos preços” são citados tanto pelo tucano mineiro Aécio Neves quanto pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Já a presidente Dilma Rousseff (PT) rebate os ataques e tenta mostrar que o discurso dos adversários é “pessimista”.

A influência da economia no voto não é consenso sequer entre cientistas políticos e economistas. Para alguns, o bolso determina o resultado do pleito. Para outros, programas de transferência de renda são capazes de “blindar” a economia.

Gaudêncio Torquato pertence ao primeiro grupo. Ele avalia que nada reflete mais na escolha do eleitor do que o desempenho do país. “A economia é a locomotiva que puxa o trem da política. Costumo dizer que o que define o voto é o bolso e o estômago”. Segundo Torquato, a inflação que estourou a meta de 6,5%, a queda do crescimento do país e o risco de recessão irão, sim, ter reflexos políticos. “A oposição tem diversos argumentos para atacar as políticas econômicas do governo”.

Contraponto. Para outro grupo de especialistas, a relação entre economia e voto precisa ser analisada com mais cautela e deve levar em conta os beneficiários de programas de transferência de renda. “Os reajustes em benefícios como o Bolsa Família acabam fazendo com que essa camada da população não sinta de maneira tão forte a alta dos preços”, explica o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas e da Faculdade IBS, Pedro Leão Bispo.

O economista afirma ainda que a inflação só é sentida de maneira ampla quando atinge fortemente produtos básicos. “O momento é de cautela. O combustível tem atualmente um preço muito inferior ao da compra. Ele vai precisar ser elevado, o que ainda não ocorreu”, avaliou Bispo.

A opinião do professor é compartilhada pelo economista especializado em estratégias de finanças José Kobori. “O governo está segurando a inflação por causa da eleição. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) também está sendo controlado e é ele que tem efeito direto no ganho das famílias de baixa renda”, ponderou.

Segundo Kobori, o preço dos produtos não está sofrendo elevação como alardeado, mas o de serviços, sim. “A faixa da população que sente a alta dos preços dos serviços é pequena. Essa, sim, está pessimista diante da economia brasileira”. O especialista diz ainda que qualquer presidente que assumir o país a partir do ano que vem vai ter que saber administrar uma situação “nada fácil”.

Em debate

Solução. O cenário econômico do país e as projeções para o futuro são alguns dos principais temas discutidos atualmente no Palácio do Planalto.

Pauta. Na semana passada, segundo informações de bastidores, a presidente Dilma Rousseff (PT) se reuniu com coordenadores de campanha.

Alvo. O objetivo do encontro era definir estratégias para reverter alguns dos quadros “pessimistas” e alinhar o discurso de campanha.

Oficial. Desde o início do período eleitoral, a coordenação de campanha petista tem se reunido em encontros temáticos para, além de afinar os discursos, finalizar o programa de governo da candidata à reeleição.

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