Sem uma grande proposta, candidatos focam melhorias

Planos de governo não contemplam mudanças com o fôlego de um Plano Real ou Bolsa Família

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Demandas. Cientistas políticos afirmam que protestos de junho do ano passado mostram que população pede serviços de mais qualidade
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Demandas. Cientistas políticos afirmam que protestos de junho do ano passado mostram que população pede serviços de mais qualidade

Os discursos que pregam mudança até agora não foram traduzidos em propostas inovadoras por parte dos presidenciáveis. Sobram metas para programas já existentes – ou mesmo a oficialização de alguns deles como políticas de Estado – nas diretrizes de governo da presidente Dilma Rousseff (PT), de Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Contudo, nenhum deles traz uma grande proposta para o país.

Especialistas apontam que é difícil identificar qual seria o “novo Plano Real” – em referência ao plano econômico que marcou a estabilidade econômica do país a partir de 1994 – ou o “novo Bolsa Família” – em alusão ao programa de transferência de renda que retirou mais de 30 milhões de brasileiros da miséria nos últimos dez anos e alterou a lógica de consumo no país.

Para o cientista político e pesquisador da Universidade de Brasília (UNB) Antônio Flávio Testa, nenhum dos candidatos à Presidência conseguiu apresentar, até o momento, uma proposta “da magnitude do programa Bolsa Família”. Segundo ele, o próprio cenário atual não demanda uma grande mudança, mas sim melhorias. “Existe um conjunto de aspectos que precisam de melhoria a partir de agora: custo de vida, transporte, saúde, redução da inflação e educação”, pontuou.

“É uma parcela muito alta da população que teve sua condição alterada e que, agora, reivindica melhores condições dos serviços prestados”, destacou o cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Manuel Leonardo dos Santos. “Enquanto a família está preocupada em ter o que comer, não tem condições de exigir do Estado outros direitos fundamentais. Quando ela tem sua necessidade mais básica atendida, passa a ter uma cidadania ativa”, completou.

Os protestos de junho do ano passado mostraram a insatisfação do brasileiro com o cenário atual, e Testa tem uma perspectiva pessimista. “Qualquer um que vença não vai conseguir atender as expectativas da população. Isso vai demorar, no mínimo, de três a quatro décadas”, enfatizou.

Na avaliação do consultor político Gaudêncio Torquato, esse é o momento do “quero mais”. “O que está acontecendo no Brasil é uma forte demanda dessa mesma classe que emergiu da classe D para a C com o Bolsa Família”, explicou. Torquato alerta ainda para o fato de que nenhum dos candidatos fala em abrir mão do Bolsa Família.

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