Novela à moda antiga

Às vésperas da estreia da nova trama das seis, autor conta que realiza um sonho ao assinar um texto na emissora

iG Minas Gerais | Geraldo Bessa |

“Novato”. Esta é a primeira obra de Rui Vilhena como titular no Brasil
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
“Novato”. Esta é a primeira obra de Rui Vilhena como titular no Brasil

Sem afetações e extremamente calmo. O comportamento de Rui Vilhena às vésperas da estreia de “Boogie Oogie”, sua primeira obra como titular na Globo, impressiona. “O trabalho de assinar uma novela na Globo é imenso. Mas já venho me preparando para esse momento há algum tempo. Com disciplina para escrever e uma boa equipe, fica fácil manter a cabeça no eixo”, explica o autor, nascido em Moçambique, mas criado em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro. Substituta da artística “Meu Pedacinho de Chão”, a nova novela das seis aposta em uma trama folhetinesca envolvendo vilões e mocinhos bem definidos e troca de bebês, tudo sob a estética da disco music do fim da década de 70. “Sempre quis falar sobre esse período. E a Globo comprou a ideia”, conta.

Em se tratando de teledramaturgia brasileira, Rui, aos 51 anos, realmente pode ser considerado um “novato”. Antes de “Boogie Oogie”, sua única participação em tramas nacionais foi como colaborador de Aguinaldo Silva em “Fina Estampa”, de 2011. No entanto, a experiência adquirida nos folhetins que escreveu para a emissora de TV portuguesa TVI chamou a atenção da Globo. Responsável por sucessos em terras lusitanas como “Ninguém Como Tu” e “Tempo de Viver”, Rui se diz preparado para a pressão pela audiência, em um horário que vem sofrendo com os baixos índices. “A audiência preocupa porque estou em um veículo de massa. Mas me sinto seguro. Minha história foi feita para se abrir como uma ‘Caixa de Pandora’. Tenho muitas cartas na manga para qualquer eventualidade”, assume. A década de 70 é pouco revisitada por novelas de época. O que o levou a ambientar sua primeira trama brasileira nesse período? Sempre quis desenvolver um trabalho ambientado nessa época. Em 1978, eu tinha 17 anos e um fascínio enorme pela alegria da era da discoteca. O tempo passou e, quando me tornei escritor, sempre me cobrei para retomar essa ideia, criando algo em torno daquele contexto. Meu objetivo é transmitir a alegria e a efervescência cultural do Rio de Janeiro daquela época.   Sua primeira experiência na televisão brasileira foi no núcleo do diretor Wolf Maya, como colaborador de “Fina Estampa”. Como a trama de “Boogie Oogie” foi parar nas mãos do Ricardo Waddington? Waddington é um entusiasta do novo. Algumas sinopses minhas foram selecionadas pela direção de teledramaturgia da emissora e ele pegou para ler. Pouco tempo depois, Waddington me ligou dizendo que gostou das ideias e me chamou para conversar. Decidimos por “Boogie Oogie” porque, assim como eu, ele também queria falar sobre o fim da década de 70, retomar o folhetim clássico, de dramaturgia sólida, folhetinesca mesmo.   Você tem uma carreira consolidada em Portugal. Por que investir no mercado brasileiro? Era um sonho. A TV brasileira, em especial o que é desenvolvido pela Globo, é referência de teledramaturgia no mundo todo.   Você está acompanhado todos os detalhes técnicos de perto ou se limita ao texto? Não estou me metendo tanto nos trabalhos de gravação porque confio no olhar do Waddington. Pelo pouco que vi, a novela está linda e bem melhor do eu imaginei. É muito legal ser surpreendido de forma tão positiva. As novelas feitas no Brasil têm um naturalismo que impressiona. Sempre soube que só um diretor muito bom conseguiria retratar o final dos anos 1970 sem cair no caminho mais fácil. Vejo as cenas e realmente está muito próximo do que vivi. O trabalho de direção de arte está fabuloso.

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