Cópia barata e sem graça

Sem originalidade, programa “Encrenca” é a tentativa da Rede TV! de exorcizar a perda do humorístico “Pânico” para a Band

iG Minas Gerais | Geraldo Bessa |

Plataforma. Dennys Motta, Tatola Godas, Ricardinho Mendonça e Angelo Campos eram do rádio
RedeTV!/Divulgação
Plataforma. Dennys Motta, Tatola Godas, Ricardinho Mendonça e Angelo Campos eram do rádio

Algumas perdas demoram para ser devidamente superadas. E dois anos ainda não são o bastante para a Rede TV! esquecer que não conta mais com a trupe do programa de humor “Pânico”, que se mudou para a Bandeirantes. Afundada em dívidas, em 2012, a emissora atrasou os salários de boa parte de seu elenco e cortou orçamentos do humorístico, sua atração de maior audiência e faturamento.

Aproveitando-se de cláusulas contratuais, os humoristas acabaram assinando com a nova emissora, com direito a aumento de salário e boas verbas de produções.

Para não ficar no prejuízo, a Rede TV! tenta, desesperadamente, encontrar um novo programa cômico que tenha a mesma repercussão obtida pela turma do jornalista Emílio Surita. A nova produção que copia o formato é o fraco “Encrenca”.

De maneira preguiçosa, a emissora contratou apresentadores também oriundos do rádio – o “Pânico” surgiu na rádio Jovem Pan de São Paulo – para o comando da nova produção. No entanto, ao contrário de Eduardo Sterblitch, Márvio Lúcio ou Wellington Muniz, os novatos na TV Tatola Godas, Dennys Motta, Angelo Campos e Ricardinho Mendonça carecem de carisma, timing de comédia para a TV e principalmente bons personagens. Tudo no “Encrenca” só reforça que o programa é uma cópia barata do pior que o “Pânico na Band” tem apresentado nos últimos tempos. Do cenário em forma de arena, colorido e repleto de jovens, ao esquema anárquico das matérias, tudo soa mal copiado e sem qualquer tentativa de ser ao menos honesto.

Mulheres. É claro que uma cópia do “Pânico na Band” que se preze precisa investir em mulheres voluptuosas. E assim como seu primo rico, o “Encrenca” abusa de imagens sensuais. Alguns conseguem até soar um pouco mais grosseiros que os originais. No entanto, faltou critério na seleção de mulheres bonitas que ficam dançando em trajes mínimos.

Apostando nos arquétipos já experimentados pelo “Pânico na Band”, até uma ex-participante do “Big Brother Brasil” foi contratada para integrar a trupe. No caso, Fani Pacheco assume, sem muita segurança, um posto equivalente ao de Sabrina Sato. Espirituosa e sem se levar a sério, Fani é uma das únicas que promete se destacar ao longo do tempo. O mesmo não se pode dizer de

Carol Portaluppi – que chegou a integrar, por um breve período, o elenco do programa original. Robótica e sem qualquer graça, ela acaba como uma versão insossa e nada engraçada da musculosa Nicole Bahls.

O “Encrenca”, da RedeTV!, vai ao ar todos os domingo, às 19h.

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