Casais homossexuais na TV

Cada vez mais, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo ganham destaque na teledramaturgia

iG Minas Gerais | Anna Bittencourt |

Afonso Carlos/Czn
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Retratar o cotidiano é o principal gancho das novelas. Para isso, é preciso explorar todos os tipos, gêneros e suas complexidades. Em um contexto cada vez mais receptivo e menos intolerante, a maior recorrência de personagens gays nos folhetins tem colaborado para diminuir distâncias e romper barreiras.

Antes caricatos e estereotipados, os gays representados nas tramas começaram a ganhar ares mais naturalistas e conquistaram destaque na telinha.

O preconceito ainda existe, mas o telespectador amadureceu à medida que casais homoafetivos foram conquistando seus direitos na sociedade. Atualmente, das seis novelas que estão no ar, quatro têm personagens homossexuais. “Não acredito que seja uma espécie de cota, apenas os autores estão mais livres. No passado, havia muita rejeição do público e esses personagens acabavam perdendo espaço”, acredita Aguinaldo Silva, responsável pelo roteiro de “Império”.

Na atual novela das nove da Rede Globo, Aguinaldo, que sempre procura inserir personagens gays em suas tramas, desta vez caprichou na representatividade. Além de Paulo Betti, que vive o escrachado blogueiro Téo, tem Klebber Toledo interpretando Leonardo, o affair de Cláudio, de José Mayer. Escalar José Mayer, reconhecido por ser o grande pegador da teledramaturgia, é mais uma prova da maneira simples e natural que o autor conduz sua trama. “Cláudio vai entrar para o hall das coisas mais diferentes que já fiz, só não vai deixar de ser um conquistador”, brinca o ator, com a sua fama.

Tendência. Casais do mesmo sexo são mais retratados em folhetins da Rede Globo. No entanto, a emissora não é a única a levantar a bandeira da representatividade.

Em “Amor e Revolução” (2011), escrita por Tiago Santiago, Luciana Vendramini e Gisele Tigre protagonizaram o então primeiro beijo entre mulheres da TV brasileira. As atrizes foram intérpretes de Marina e Marcela na trama de exibida pelo SBT. A cena teve pouca repercussão. A Rede Record, por ter em sua maioria um público fidelizado à igreja evangélica, não aposta muito nesse tipo de personagem. No entanto, ainda que menor, há a ocorrência de tipos gays em suas novelas, embora nunca em papéis de destaque. Em “Vitória”, atual folhetim da emissora, Ricardo Ferreira interpreta Virgulino, um motociclista afeminado e perseguido pelo núcleo neonazista da trama.

“Não acredito que seja uma espécie de cota, apenas os autores estão mais livres. No passado, havia muita rejeição do público”

Afonso Carlos/CZN

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