Médico com ebola teria recusado soro experimental contra a doença

O dr. Kent Brantly teria recusado a dose pois só havia o suficiente para uma pessoa e ele o ofereceu para Nancy Writebol, missionária americana que também foi infectada com a doença

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Entre 632 casos de ebola que até então haviam resultado em mortes na África, 206 foram em Serra Leoa
Sylvain Cherkaoui/Médicos Sem F
Entre 632 casos de ebola que até então haviam resultado em mortes na África, 206 foram em Serra Leoa

A organização Samaritan's Purse, entidade religiosa da qual faz parte o médico Kent Brantly, que foi infectado com o vírus ebola e chegou aos Estados Unidos neste sábado (2), informou que o médico recusou a oferta de uma dose de um soro experimental contra a doença para cedê-la à missionária americana Nancy Writebol, que também foi infectada.

"Um soro experimental chegou ao país, mas havia apenas o suficiente para uma pessoa. Dr. Brantly pediu que fosse dado a Nancy Writebol ", disse Franklin Graham, presidente da organização. "No entanto, Dr. Brantly recebeu sangue de um menino de 14 anos que havia sobrevivido ao ebola. O menino e sua família queriam ajudar o médico que salvou sua vida", diz o site da entidade.

Brantly chegou ao país para tratamento em um avião equipado com uma unidade de confinamento especial, que posou na Base Aérea de Dobbins, em Atlanta. Em seguida ele foi transportado para o Hospital da Universidade de Emory, que tem uma unidade de isolamento, criada em colaboração com os centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para o tratamento de pessoas expostas a doenças infecciosas graves.

A missionáriaNancy, que também contraiu a doença na Libéria, é esperada para chegar a Atlanta, nos próximos dias. "Agradecemos a Deus que eles estão vivos e agora têm acesso aos melhores cuidados do mundo", disse Graham. De acordo com a Agência Lusa, esta é a primeira vez que um infectado com o vírus do ebola entra nos Estados Unidos. O governo norte-americano garante que a medida não põe em risco a população.

A agência informa também que os países afetados pela epidemia (Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria) e seus vizinhos adotaram medidas excepcionais para evitar a expansão do vírus, que já matou 729 pessoas. Um cordão sanitário para isolar as zonas com o maior número de casos, restrição de movimento de pessoas e a desinfecção de lugares públicos são as principais medidas contra a doença. Os três países concordaram, na última sexta-feira, aumentar as medidas sanitárias e o controle de fronteiras em uma reunião com a participação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo nigeriano também proibiu a entrada no país de cadáveres procedentes de nações afetadas pela epidemia, para evitar a expansão do vírus no país, depois que o corpo de um morto vindo da Libéria entrou, provavelmente, pelo aeroporto. A Nigéria recebeu também uma pessoa proveniente da Libéria, que morreu em um hospital em Lagos e 70 pessoas com quem manteve contato estão sob observação.

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