Não se envolva na vida sexual dos filhos, diz Contardo

Após algumas digressões – até sobre a mudança da Itália para o Brasil –, a conversa se encerrou no mesmo ponto em que começou: a vida sexual dos adolescentes

iG Minas Gerais |

Psicanalista falou sobre desejo e obediência à plateia de Paraty
WalterCraveiro
Psicanalista falou sobre desejo e obediência à plateia de Paraty

PARATY, RJ. O psicanalista Contardo Calligaris abriu a programação da Casa Folha nesta sexta-feira (1º), na 12ª edição da Flip, com um animado bate-papo com a jornalista Cristina Grillo sobre desejo, obediência e rebeldia. Calligaris deu início ao papo com uma questão polêmica: a vida sexual dos filhos – na qual ele diz que é melhor não se intrometer.

“A melhor coisa, em geral, é não fazer nada em relação a isso. Quando a gente faz um escândalo parece babaca. É péssimo. Ninguém merece um pai babaca”, disse o psicanalista italiano, que reside no Brasil.

O público começou a interagir com o convidado desde o começo. Bem-humorado, Calligaris respondeu a tudo, levantando-se para que (quase) todos conseguissem vê-lo. “Os adolescentes hoje veem coisas que a minha geração só viu depois dos 20 anos, num filme francês em branco e preto num projetor que quebrava a cada três minutos. E hoje eles ainda podem aumentar a tela!”. Para ele, é direito dos filhos esconder coisas dos pais.

“Mentir é um direito da criança. Essa coisa de forçá-la a falar é tortura organizada”, opinou.

O sexo, em suas palavras, não tem absolutamente nada de natural. “É um evento cultural. Quanto mais cultura você tiver, mais vai se divertir. Pensem nisso quando tiverem preguiça de ler”, falou, provocando risos nos presentes. E acrescentou que os seres humanos são os únicos mamíferos para quem a excitação sexual independe dos sinais naturais de fecundidade. “As causas da excitação estão em nossa cabeça”, disse.

Segundo Calligaris, o desejo das pessoas não tem uma essência e se desloca constantemente. “Você quer uma cereja agora”, exemplifica, “mas talvez em cinco minutos queira algo diferente”. “O capitalismo vive disso. Se houvesse um desejo fundamental, ele acabaria”.

Após algumas digressões – até sobre a mudança da Itália para o Brasil –, a conversa se encerrou no mesmo ponto em que começou: a vida sexual dos adolescentes. “Acho péssimo quando os jovens levam uma vida de casal na casa dos pais. É uma paródia. Tem adolescente que não sabe o que é transar no carro. É uma arte”.

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