‘Tive vida metódica e muito cuidado com a saúde’

Elídio RodriguesGomes Completa 105 anos amanhã

iG Minas Gerais | luiza muzzi |

Como foi a juventude do senhor no interior?  

Tive uma vida agitada. Quando menino, fui empregado de fábrica, garçom de hotel, trabalhei em padaria. Eu saía de manhã cedinho com um saco grande de pão nas costas, vendendo de porta em porta. Com quase 20 anos, entrei para o serviço militar, e depois comecei a atuar no banco. Toda a vida trabalhei. Mas também viajamos e aproveitamos. Estando ao lado dela (Juracy), eu estava feliz.

E em Belo Horizonte?

A minha mocidade foi sempre trabalhando. Tinha que lutar pela vida. Meu prazer era caminhar todos os dias no centro. Mas a idade chegou, e eu me recolhi em casa. Não acompanhei muito o desenvolvimento da cidade. Tive vida metódica e muito cuidado com a saúde.

Algum momento marcou o senhor?

Quando eu era rapaz, em Montes Claros, trabalhava no comércio com um cunhado. Uma vez fomos eu e um chofer vender toucinho na Bahia, e o caminhão quebrou na volta. Fiquei parado na estrada enquanto ele ia buscar as peças para o conserto. Chovia muito, e eu estava com sede, daí fiquei de um dia para o outro bebendo água da enxurrada da estrada.

É verdade que o senhor escreve poemas e até fez um para a sua mulher recentemente?

Ela estava no hospital (havia duas semanas), e eu, sozinho. Como Juracy demorou a voltar, tive que fazer um poema. Ficou assim: “Se saudade matasse, muita gente morreria. Eu seria um dos primeiros que a saudade levaria”. 

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