Prefeitura aguardará perícia

Uma semana após autorizar “demolição urgente” de viaduto, prefeito diz que vai esperar laudo

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho |

Análises. Peritos e funcionários da Cowan acompanharam as escavações em torno do pilar que cedeu
MOISES SILVA / O TEMPO
Análises. Peritos e funcionários da Cowan acompanharam as escavações em torno do pilar que cedeu

O prefeito Marcio Lacerda disse nesta sexta, em agenda pública, que o município vai esperar a conclusão do laudo da perícia realizada pela Polícia Civil e também do inquérito aberto pelo Ministério Público sobre as possíveis causas da queda do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, para definir se a alça que ainda está de pé será ou não demolida. Essa foi a primeira vez que o prefeito se pronunciou sobre o assunto após entrevista dada no dia do acidente que deixou duas pessoas mortas e 23 feridas, há quase um mês.

Segundo Lacerda, dependendo do resultado da perícia, a alça do viaduto que restou de pé poderá ser recuperada. Porém, caso essa recuperação seja muito demorada, de acordo com o prefeito, o Executivo optará pela implosão para que o trânsito no local seja liberado o mais rápido possível. “Não podemos prolongar muito esse assunto do (viaduto Batalha dos) Guararapes. Se a recuperação for demorar, teremos realmente que implodi-lo”, afirmou.

O prefeito disse ainda que, em uma conversa com o Ministério Público de Minas Gerais e também com a Polícia Civil, há três dias, os órgãos pediram para que a prefeitura aguardasse o desenvolvimento da perícia no que restou da alça antes de tomar qualquer decisão sobre a demolição do que sobrou de pé.

“A Polícia Civil e o Ministério Público me pediram para que a implosão não fosse feita, pois gostariam de checar elementos da alça norte que poderiam ajudar no laudo sobre a alça sul”, disse. Em uma nota divulgada no começo desta semana, no entanto, a Polícia Civil havia afirmado que não se pronunciaria sobre a alça norte, já que “ela não é alvo da perícia”.

Retorno. No dia 24, a prefeitura disse que a demolição da alça que está de pé deveria ser feita em “caráter de urgência”. A decisão foi baseada no laudo da construtora Cowan, responsável pela obra. A empresa disse que haveria um erro de dimensionamento no bloco que sustentava um dos pilares do viaduto e que, como era uma espécie de réplica da estrutura que desabou, a alça norte poderia cair a qualquer momento.

Por causa disso, os moradores dos condomínios Antares e Savana, que ficam próximos à estrutura, foram retirados. As famílias estão hospedadas em um hotel localizado no bairro São Cristóvão, na região Nordeste da Capital, sem previsão de retorno para seus imóveis.

Porém, conforme matéria de O TEMPO publicada no dia 26, a Polícia Civil e especialistas na área afirmaram que não houve erro no dimensionamento do bloco e que a demolição da alça que restou poderia ser precipitada.

Auxílio Demora. A Associação dos Moradores e Lojistas da Pedro I reclama que os moradores só começaram a ser atendidos pela equipe de assistência psicossocial da prefeitura 28 dias após a tragédia.

Projeto para a demolição será mantido Mesmo na espera do resultado da perícia, a Prefeitura de Belo Horizonte vai continuar o processo de elaboração do plano de demolição da alça que ainda está de pé do viaduto Batalha dos Guararapes. “Já estamos preparando o processo de demolição, mas ele só será acionado após o inquérito”, disse, nesta sexta, o prefeito Marcio Lacerda. A Cowan já indicou ao município o nome de uma empresa para realizar a implosão da alça norte que ainda está de pé, já que a construtora só realiza a demolição manual.

Testes O prefeito Marcio Lacerda disse que o viaduto Montese, que teve um deslocamento lateral de 27 centímetros em fevereiro do ano passado e teve que ser interditado, passará por um teste de carga antes de ser liberado para o trânsito. A prefeitura mantém a vistoria em cinco viadutos da Pedro I. Desde o dia 11 de julho, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) realiza monitoramentos diários nos viadutos Monte Castelo, João Samaha, Montese e viadutos A e B (da avenida Portugal).

Volta O supervisor de logística Luis Fabian Aguiar Patzi, 34, foi um dos moradores que se mudou com a família para um hotel, no bairro São Cristóvão. Após seis dias de estadia, a vontade de voltar para casa foi mais forte, e ele retornou com a mulher e os filhos de 4 e 9 anos para o apartamento em que viviam, no edifício Antares. “Fomos para o hotel pela nossa segurança, mas essa segurança é fictícia, pois não temos respostas concretas. Minha filha pediu para voltar para casa, e eu acatei”, conta.

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