Fim do casamento, não do amor

iG Minas Gerais |

Ronaldinho Gaúcho não explicou por que saiu do Galo, mas isso é o que menos importa agora. Como em um casamento que termina, os motivos só interessam às partes envolvidas, mas creio que ele não aceitaria ficar no banco, seja desde o começo das partidas ou após ser substituído ao longo dos jogos, como aconteceu nos dois duelos da Recopa, quando deixou o campo e foi para o vestiário. Sua imagem como suplente poderia diminuir valores de futuros contratos, e isso o empresário de R10, seu irmão Assis, não deixaria acontecer, pois seu desmedido apego ao dinheiro é mais do que notório, embora ambos já não precisem mais se preocupar com o futuro, assim como várias gerações da família que ainda virão. Mas isso é passado! O que não é passado e nunca será é a história que o jogador escreveu no Atlético, um dos únicos três clubes do Brasil, ao lado de Corinthians e Flamengo, no qual a torcida é sempre protagonista. Nesse caso não é diferente. Tem uma frase que denota muito bem essa situação. Embora ela seja a respeito do Corinthians, serve perfeitamente para Atlético e Flamengo: “Todo time tem uma torcida, mas só a torcida do ... tem um time”. Se Ronaldinho entrou para os anais do Galo, isso se deve muito mais à Massa do que a ele, que teve méritos, claro, mas a carência de grandes títulos da torcida e o bom costume em cultivar grandes ídolos, quase todos do extraordinário time dos anos 80, fez com que a química entre R10 e os atleticanos fosse imediata. Agora, a conquista épica da Libertadores foi o que uniu para sempre o já consagrado atleta pré-Galo e a Massa, que, como já escrevi algumas vezes, foi alforriada da escravidão de décadas sem uma taça expressiva. Por isso, embora o casamento entre o jogador e o Atlético – leia-se sua torcida – tenha acabado, a relação será eterna, como um casal que se separa, mas convive o resto da vida por ter tido um filho. O rebento nesse caso é a Libertadores de 2013. Quando um relacionamento conjugal termina, por mais que seja consensual, fica um grande vazio, mas a vida continua, e é isso que o Atlético e sua torcida devem fazer. Aproveitando a volta do Galo ao patamar de um dos grandes times – clube sempre foi – do Brasil após a passagem de Ronaldinho, todos que amam e/ou trabalham no Atlético não devem medir esforços para que os tempos das vacas magras não voltem mais, pois a torcida não merece. As demonstrações de carinho para com Ronaldinho em sua despedida foram emocionantes, ainda mais para ele, que nunca tinha deixado um clube pela porta da frente. Nem no Barcelona, onde também é ídolo, ele saiu bem, já que deixou a vida de atleta de lado para focar outras coisas não menos interessantes do que jogar. Claro que a torcida tem que ser eternamente grata a Ronaldinho por tudo o que ele proporcionou, mas Ronaldinho tem quer ser muito mais grato à Massa por aquilo que ele encontrou no Galo, que nunca tinha tido na carreira nesse grau e que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar: amor, respeito, admiração e ser imortal de uma instituição como o Atlético. Como jornalista, foi bem legal ter acompanhado de perto essa história, que será contada enquanto houver um atleticano sobre a face da Terra. Imagina para os próprios atleticanos? Só o futebol é capaz de produzir algo assim: um casamento que acaba, mas dura para sempre. Amor não se explica, se sente! Sem emoção. Feita a modesta análise afetiva sobre a passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Galo, o time deve e precisa melhorar sem ele, que vinha sendo um peso morto em campo. Seu substituto natural ainda necessita mostrar o futebol dos tempos de Cruzeiro. Embora tenha feito boas partidas pelo Atlético nos últimos tempos e apagado, em parte, o péssimo começo no clube, Guilherme ainda não convenceu de vez.

Sem graça? Não entendo quando alguns jornalistas dizem que a disparada de um time na ponta do Brasileirão, como o Cruzeiro em 2013 e neste ano, deixa a competição sem graça. Sem graça para quem? Certamente não para a torcida celeste e, mais ainda, para a equipe, que teve e está tendo todos os méritos para usufruir de tal condição. Em tudo na vida é assim: quem não tem competência não se estabelece.

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