Pequenas histórias das canções de Milton Nascimento

Em conversa com o Magazine, ele situou algumas das 14 canções que compõe o show

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

No show, Milton toca violão e piano em algumas canções
Guilherme Carvalho
No show, Milton toca violão e piano em algumas canções

Quando subir ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, a partir das 21h de hoje, Milton Nascimento vai cantar um repertório que marca importantes pedaços da sua trajetória. Desde as inspirações de criança em Três Pontas, onde foi criado com “Bola de Meia, Bola de Gude”, passando pelas dificuldades de um cantor em início de carreira “Nos Bailes da Vida”, até o ponto alto de uma “Travessia” histórica na música brasileira. Em conversa com o Magazine, ele situou algumas das 14 canções que compõe o show. “Bola de Meia, Bola De Gude”. Completamente inspirada na infância que Milton Nascimento passou em Três Pontas. “A bola de meia era realidade no meu dia a dia”, atesta Bituca. “Ponta de Areia”. A música foi gravada em 1980 para uma coreografia do Grupo Corpo, com texto do jornalista Fernando Brant. A letra lamenta o fechamento da estrada de ferro inaugurada em 1881 para ligar Minas Gerais ao mar do Sul da Bahia, em Ponta de Areia. “Estrela, Estrela”. A canção faz parte do primeiro disco do cantor gaúcho Vitor Ramil, intitulado “Estrela, Estrela” (1981). Milton Nascimento conheceu a canção por Wagner Tiso, que acompanhava a banda de Vitor Ramil na época, e incluiu a pérola em seu repertório desde então. “Nos Bailes da Vida”. A música está no álbum “Caçador de Mim” (1981) e faz uma auto-análise das dificuldades de um cantor no início da carreira. “Paula e Bebeto”. Marcada na voz de Gal Costa pelo refrão “qualquer maneira de amor vale a pena”, a música foi feita por Bituca no início dos anos 70, em homenagem a um casal apadrinhado por ele em Três Pontas. Quando o romance acabou, Milton Nascimento pediu a Caetano Veloso para escrever os versos. “Caçador de Mim”: Composta pelo baixista do 14 bis, Sérgio Magrão, em parceria com Luis Sá, da dupla Sá e Guarabyra, a gravação de Milton Nascimento no início dos anos 80 foi tão elogiada que durante um tempo ele mesmo brincou em declarações públicas que a música era dele. “A música que fala de mim, mesmo não sendo feita para mim”, brinca Milton.

“Encontros e Despedidas”. Gravada em LP homônimo de Milton Nascimento em 1985, a principal versão da música é a de que os famosos versos “mande notícias do mundo de lá / diz quem fica” remetem a Chico Xavier. “Maria Solidária” e “Maria, Maria”. Consideradas duas homenagens à mãe biológica de Milton Nascimento, especialmente por ela ser uma empregada doméstica, que entregou o filho ainda bebê para uma família de Três Pontas, devido às dificuldades financeiras de criá-lo. “Um Gosto de Sol”. Uma das poucas canções em que Ronaldo Bastos fez a melodia por cima da letra de Bituca, inspirada no soneto “A Pêra”, de Vinicius de Moraes . “O Bastos sabe esse poema de cor, foi fácil para ele”, diz Milton.

“Canção do Sal”. Gravada por Elis Regina em 1966, é considerada a canção que lançou Milton Nascimento como compositor. “Eu toquei essa música na casa da Elis Regina, para ela selecionar seu repertório novo e ela gravou, para a minha surpresa”, diz Bituca. “Travessia”. A canção foi apresentada no Festival de Música Popular de 1967, após Milton Nascimento ter um dos principais sucessos da carreira profetizado por uma entidade espírita. “Essa entidade que vi em um centro espírita, disse que eu iria ter sucesso em breve. Em poucos dias eu apresentava ‘Travessia’, um estouro”, lembra Milton. “Nada Será como Antes”. Integrante do emblemático “Clube da Esquina” (1972), a canção é resultado de uma dobradinha de Bituca e Ronaldo Bastos. A música fala sobre amigos no exílio, em homenagem principalmente ao irmão de Ronaldo, o economista Vicente Bastos, exilado em Londres na década de 70. “Coração de Estudante”. Composta em 1982, curiosamente a inspiração da melodia triste e esperançosa de Wagner Tiso era a imagem de garis varrendo as ruas. Somente após Milton Nascimento incluir a letra, a canção se tornou hino das Diretas Já.

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