Que mala!

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Amo viajar! Acho que conhecer lugares novos e rever os meus preferidos é uma das melhores coisas da vida. Viagens podem até não descansar o corpo (experimenta ir aos parques da Disney pra você ver!), mas sempre revitalizam a mente. Sair da rotina e passar uns dias em uma cidade diferente é revigorante e, ao voltarmos, com certeza nos sentimos mais bem-dispostos. Por isso, sempre que surge uma oportunidade, não abro mão de colocar o pé na estrada. Porém, tem uma parte da viagem que eu detesto... A tal da “mala”. Tudo começa com o planejamento. Você escolhe a época já levando em conta a estação do ano. Pesquisa o que vai fazer durante o período, os locais que quer visitar, conhecer... E então, algumas semanas, dias ou (no meu caso) horas antes de embarcar, você pega aquela mala em cima do armário e começa a enchê-la com tudo de que vai precisar nos dias fora. Confesso que nessa hora sinto uma inveja imensa dos caracóis. Minha vontade sempre é levar o armário inteiro nas costas! Porque o fato é que, por mais que se imagine o que você provavelmente vai usar, a programação pode mudar, o clima pode virar, um evento não planejado pode aparecer. E é triste lembrar que você tinha a roupa perfeita dentro do seu guarda-roupa, que está a quilômetros de distância... E é exatamente por isso que, ao viajar, na maioria das vezes sempre levamos mais coisas do que realmente precisamos. Quando é inverno, tudo se torna ainda pior. No começo deste ano, por exemplo, fui passar um mês na Europa com meu namorado. Eu sabia que estaria gelado, por isso separei todas as minhas luvas, blusas de lã, cachecóis, botas... E a mala simplesmente se recusou a fechar. É incrível como roupa de frio ocupa espaço! E lá fui eu – faltando pouquíssimo tempo para a viagem – comprar uma nova mala, afinal, melhor isso do que morrer congelada. Claro que eu poderia dividir tudo em dois volumes, mas carregar um só é tão mais fácil... Então comprei uma mala imensa, que caberia as roupas de inverno, de verão, de qualquer estação que eu quisesse. Mas foi só depois, já durante a viagem, que eu entendi o motivo do apelido “mala” para pessoas chatas e sem noção. Quem já viajou para o exterior sabe que é impossível não fazer compras. Tudo é tão barato em comparação com os valores daqui que a vontade é de trazer tudo! E ainda tem os presentes... Assim, acumulei uma quantidade enorme de lembrancinhas, de cada país por onde passei, para a mãe, o pai, o irmão, a madrinha, as amigas, os meus gatos e cachorros... Mas foi só na hora de arrumar tudo pra voltar pra casa que eu senti o drama. A minha mala (a nova, que eu comprei achando que ia caber tudo e mais um pouco) estava lotada e sem espaço pra nem mais um alfinete. E lá fui eu, em pleno domingo, em Roma, procurar um verdadeiro contêiner onde coubessem todos os meus suvenires! Com muito custo, encontrei uma sacola de viagem (daquelas pretas bem grandes), com rodinhas e onde sem dúvidas caberiam todas as minhas comprinhas. Realmente coube. O problema foi levá-la e também a mala “antiga” ao mesmo tempo. Mesmo com as rodinhas, foi difícil equilibrar. Meu namorado bem que tentou ajudar – apesar de não parar de repetir que “Mala e escova de dentes, cada um leva a sua”, mas, como ele também estava com bastante bagagem, foi realmente difícil. Depois de muito suor e calos nas mãos, finalmente conseguimos entregar as malas no guichê da companhia aérea, agradecendo a tudo quanto é santo por não termos que pagar pelo excesso. Pensam que a novela acabou? Que nada. Desembarcamos em São Paulo depois de umas 12 horas de voo. Uma das minhas malas logo passou pela esteira. Agarrei-a como se fosse o amor da minha vida, afinal, não são poucos os casos de bagagens extraviadas. Mais 20 minutos se passaram até que a outra finalmente apareceu. Só faltei beijá-la, tamanho o alívio! Perder uma mala depois de todo aquele sacrifício seria terrível. E então, ao passar pela alfândega... luz vermelha. Só faltei chorar e acho que a inspetora deve ter ficado com pena, porque ela falou que tinha sido um engano e me liberou. Fui-me embora, feliz da vida, crente de que era só chegar em casa e fazer a alegria dos familiares com os meus presentes. Afinal, depois de um tempão arrumando a mala, horas no avião, esteira, imigração, eu merecia isso, não é? Pelo menos era o que eu achava... Só faltava mais um pequeno voo, de São Paulo para Belo Horizonte. Porém, ao desembarcar em Confins e ver as minhas malas, logo notei que algo estava errado. Um pedaço de lona estava dependurado e rodopiando pela esteira, e quase chorei ao ver que era da mala que eu tinha passado horas na Itália procurando, enquanto poderia estar aproveitando a viagem. Como se não bastasse, ao tirar a outra (aquela “velha”, que eu tinha comprado antes de viajar) da esteira, percebi que ela estava com um rasgo imenso de fora a fora. Nem acreditei. Eu tinha voado de um continente a outro e tudo tinha dado certo. Mas naquele pequeno trecho de SP para BH, minhas malas tinham sido danificadas. Ao reclamar com a TAM, os funcionários foram até atenciosos, mas trataram o caso como se estivessem acostumadíssimos com isso, como se rasgar as malas dos clientes fosse rotina pra eles. Apesar disso, aceitaram pagar o conserto apenas da mala que eu havia comprado no Brasil. Da outra (a novíssima), por não ser de uma marca conhecida aqui, recusaram. Pensei em gritar, em brigar, em chorar, mas, como eu estava muito cansada, resolvi apenas escrever uma crônica a respeito. Para contar a minha história e também para dar um conselho: Se você for fazer uma viagem longa, escolha a época do verão. Ou então, leve desde o começo duas malas e daquelas bem velhas! Afinal, como na vida, quem aguenta uma pessoa mala, aguenta outra também...

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