Milton Nascimento em versão orquestrada

Bituca canta sucessos de sua carreira com arranjos inéditos da Orquestra Sinfônica, neste fim de semana

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Repertório que passeia por toda a carreira de Milton Nascimento foi selecionado pelo próprio 
artista, em conjunto com a Orquestra Sinfônica
Divulgação
Repertório que passeia por toda a carreira de Milton Nascimento foi selecionado pelo próprio artista, em conjunto com a Orquestra Sinfônica

“Meu jeito de cantar é um só. Seja com banda, à capela, num estádio ou com orquestra. Na verdade, até hoje não sei explicar como isso funciona”. Depois de completar 50 anos de carreira e comemorar quatro décadas de Clube da Esquina, Milton Nascimento ainda cultiva a veia autoditada que o fez compor e entoar mais de 250 músicas em sua trajetória, interpretadas por desde Elis Regina até Miles Davis.  

É com essa serenidade que, aos 71 anos, Bituca sobe ao palco do Grande Teatro Palácio das Artes neste fim de semana para dois shows inéditos, nos quais ele vai interpretar alguns de seus maiores sucessos com arranjos de luxo da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).

Mesmo tendo forte relação com a música sacra e o canto lírico, esta é a primeira vez que Milton Nascimento participa do projeto Sinfônica Pop – que tem o caráter de aproximar o erudito e o popular, como aconteceu nos últimos três anos em shows orquestrais com Nana Caymmi, Gal Gosta, João Bosco, Rosa Passos, Zizi Possi e Wagner Tiso.

Além disso, também inédito é o encontro entre o Coral Lírico de Minas Gerais e o Coral Infantojuvenil do Palácio das Artes, que recheiam com suavidade as canções de Bituca. “É uma reunião que estende as homenagens recebidas por Milton pela carreira e a obra no Clube da Esquina, aproveitando para incrementar mais ainda o Sinfônica Pop com o primeiro encontro de corais, já que a música do Milton permite e explora muito o coro”, avalia o maestro da OSMG, Marcelo Ramos.

Ao todo, o repertório tem 14 canções, incluindo um início instrumental de “Trem Azul” e “Clube da Esquina”, em um modelo nunca feito pela Orquestra Sinfônica. “Os músicos vão começar tocando sem o regente, o que nunca fizemos. É meio Roberto Carlos”, brinca Ramos.

Os arranjos das nove canções principais que compõem o repertório de Bituca são feitos pelo guitarrista e violonista Wilson Lopes, membro há 21 anos da banda de Milton Nascimento. Há pelo menos seis anos, ele faz adaptações orquestrais do repertório do cantor, que foram mostradas até na Europa, como no show ao lado da Orquestra Metropolitana de Lisboa, em Portugal, em 2011.

“A vontade é de orquestrar o repertório do Milton todo, porque a influência dos corais, sons de igreja e da música sacra e interiorana são extremamente presentes na discografia dele. Em cada apresentação, eu reviso as músicas e incluímos novidades”, diz o músico e diretor do show.

Assim, para a apresentação deste fim de semana, a canção “Nada Será como Antes”, parceria entre Milton e Ronaldo Bastos, entra no set- list. Homenagem ao exílio do irmão caçula de Bastos em 1970, hoje a música se incorpora ao repertório do artista como uma lembrança nostálgica. “Nem encaro mais como música contra a ditadura, apesar de ressaltar que ela foi feita com orgulho para o Vicente Bastos Ribeiro, grande amigo. Incluímos na orquestração porque ela faz parte de um disco histórico”, avalia Bituca, que a gravou pela primeira vez ao lado de Beto Guedes, no célebre “Clube da Esquina” (1972).

O repertório do show ainda traz algumas das músicas mais marcantes do cantor e compositor, como “Bola de Meia, Bola de Gude”, que é cantada em clima lúdico, ao lado do Coral Infantojuvenil. Outros destaques da apresentação ficam por conta de “Coração de Estudante”, parceria com Wagner Tiso e hino das Diretas Já, além de “Caçador de Mim”, de Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá – das poucas canções da apresentação que não têm os versos de Milton. “Deixamos para o final ‘Travessia’ e ‘Maria, Maria’, que são mais festivas. Como a plateia canta junto, é para encerrar em clima de festa”, antecipa Marcelo Ramos.

Antes de Milton Nascimento interpretar seu repertório, o regente Lincoln Andrade apresenta quatro canções do artista orquestradas por Fred Natalino, pianista da Big Band do Palácio das Artes. A seleção inclui “Ponta de Areia”, “Estrela, Estrela”, “Nos Bailes da Vida” e “Paula e Bebeto”, que, assim como o resto do repertório, foram ensaiadas em apenas uma noite.

“O Milton tem uma capacidade de interpretar a cultura mineira como ninguém. É uma festa nossa para ele”, frisa Andrade.

  • AGENDA
  • O QUÊ. Sinfônica Pop convida Milton Nascimento
  • ONDE. Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)
  • QUANDO. neste sábado, às 20h30, e neste domingo, às 19h
  • QUANTO. R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
  • * Os ingressos estão esgotados!
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