Sentidos e paladar à prova

Festival agita turismo e restaurantes inovam em pratos para agradar ao visitante

iG Minas Gerais | Paulo Campos |

No bistrô Donna Flor, pratos, drinques e sobremesas ganham bela apresentação visual
Leandro Miranda/divulgação
No bistrô Donna Flor, pratos, drinques e sobremesas ganham bela apresentação visual

Gabriela, Dona Flor, Jubiabá... O escritor baiano Jorge Amado é referência em Prado. De comida gostosa, bem-temperada, às vezes apimentada, diferente, criativa. A excelência da gastronomia surpreende (e muito) o visitante de tão a sério em que é levada.

Todo o mês de outubro é promovido, pela Associação Pradense de Restaurantes, Hotéis, Operadores, Pousadas e Estabelecimentos Comerciais (Aprhope), o Festival Gastronômico de Prado, que, neste ano, está em sua nona edição consecutiva.

Segundo Wander Noronha, coordenador da Câmara de Turismo da Costa das Baleias, o evento, realizado em parceria com o Senac, tenta profissionalizar o turismo em Prado, reúne 38 restaurantes, quiosques e barracas de praia e promove, paralelamente, eventos culturais.

A ideia, segundo ele, é valorizar a cultura, representada pela capoeira, baculelê e bate-lata, e a culinária, onde se utiliza matéria-prima locais, como o biribiri, o gengibre, a banana da terra, a fruta-pão e o caju.

Outra ação é trazer para dentro do festival a agricultura familiar. Agora, Prado se prepara para promover novos eventos, como Prado Viva Bike, de 4 a 7 de setembro, um encontro de clubes de ciclismo de todo o país, a exemplo do que acontece hoje em Rio das Ostras (RJ), o Prado Motorock, encontro de motociclistas, e a Feira Náutica, em maio de 2015.

Culinária tradicional ganha requinte e novos sabores

O festival incorpora receitas apetitosas e sofisticadas ao cardápio como o Budião da Rainha, um filé de budião grelhado ao molho bechamel, cubinhos de abacaxi, camarões rosa flambado, lascas de castanha do Pará e arroz tailandês, uma das receitas da chef Márcia Marques.

Em seus 22 anos à frente do Banana da Terra, Márcia combina como ninguém frutos do mar e pescados. O carro-chefe do restaurante é o budião, peixe só encontrado no Sul da Bahia que é misturado ao molho de abacaxi, manga, maracujá ou biribiri, saborosa fruta local.

No Jubiabá, além do budião, é claro, que originou o prato Delícia Tropical, os camarões VG fazem a honraria da casa. O crustáceo flambado com uísque, adicionado de cubos de abacaxi, creme de leite, lascas de gengibre, leite coco e mostarda, deixa água na boca só no visual.

Quem ganha com toda criatividade, claro, são os visitantes, que gastam entre R$ 60 e R$ 120 por um prato que serve até quatro pessoas, dependendo do apetite. Para fazer agradinho à freguesia, muitos restaurantes oferecem drinques exóticos ou sobremesa como cortesia.

Do bolinho de aipim recheado com camarão a pratos como a lagosta Monarca, o casal Alcina Lago e Fábio Marques descobriu vários prazeres. Ela, pelo fogão; ele, pelo mergulho. Há 30 anos Marques foi o responsável por introduzir o budião na culinária pradense.

Hoje, ele ensina os garotos de Prado a mergulhar e narra curiosas histórias como a dos 12 navios afundados na costa e das experiências com o olho de boi, peixe que alcança até 1,9 m de comprimento. Já Alcina faz do Macaxeira um restaurante onde a raiz tempera a maioria dos pratos. 

Encantos e mimos em todos os cantos

Escondido numa travessa próximo ao Beco das Garrafas, o bistrô Donna Flor é um encanto só. Luz de velas, jarros de flores na mesa, decoração sui generis... o aconchego logo pega de assalto o visitante. Mal sabe ele que a comida fala mais alto ainda aos olhos e ao paladar.

Filé mignon ao molho de jabuticaba e lascas de castanhas com arroz piemontês vêm com uma cestinha com palitos de aipim, serve duas pessoas e custa apenas R$ 65. A proprietária Lilian dos Santos diz que cozinhar está no “sangue” da família. “Cozinho desde os 12 anos”.

Mas ela não abriu mão de fazer um curso no Rio de Janeiro e aprender a gastronomia dos cinco continentes. No cardápio, pode-se experimentar o arroz indiano ou pratos com molho teriaki. Antes do prato principal, entradas e drinques extasiam pelo visual caprichado e sabor incomparável.

A empadinha de queijo ou geleia de pimenta com pães e requeijão cremoso precede um peroá com arroz indiano, paçoca de banana da terra, molho teriaki e camarão no prato Juca. Dar nome de pessoa ao prato é uma homenagem que presta ao cliente que o experimenta pela primeira vez. 

Onde comer

Banana da Terra . Beco das Garrafas, 171, (73) 3021-1721. De segunda a sábado, das 18h às 23h; domingos, das 12h às 23h.

Bistrô Donna Flor.Beco das Garrafas, 109, (73) 3021-0087. Diariamente, das 16h à 0h.

Jubiabá. Rua Rui Barbosa, 140, (73) 3298-2180. Diariamente, a partir das 11h.

Macaxeira. Beco das Garrafas (Beco da Matriz), 125, (73) 3021-0105. Funciona Diariamente, das 11h às 23h.

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