Bola acusa rival de o ter envolvido nos crimes contra Eliza Samudio

Condenado negou ter conhecido o primo do goleiro Bruno, Jorge Luiz Rosa, e o então braço direito do atleta, Luiz Henrique Romão, o Macarrão

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas/Gustavo Lameira/Bernardo Almeida |

ALEX DE JESUS/O TEMPO
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O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusou um antigo rival de o ter envolvido nos crimes relacionados a modelo Eliza Samudio - que foi morta em 2010, após um relacionamento com o goleiro Bruno Fernandes - em uma entrevista a TV Alterosa, publicada nesta sexta-feira (1º). Bola foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado (meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e ocultação do cadáver de Eliza. Ele está detido na Casa de Custódia da Polícia Civil, no bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte.

Quando questionado se haveria alguém interessado em incriminá-lo, Bola respondeu: "A autoridade, que é meu desafeto, que todo mundo sabe, é só vê-lo na televisão". Possivelmente, ele tenha se referido ao ex-delegado e vereador Edson Moreira (PTN), que comandou as investigações na época.

Ainda, o condenado negou conhecer o primo de Bruno, Jorge Luiz Rosa, que por várias vezes declarou estar com Bola no momento da execução e ocultação do cadáver de Eliza. "Se depender de mim, essa moça está viva. Nunca vi essa moça na minha vida. E esse menor (Jorge) e outros personagens que pareceram na TV, eu nunca os vi na minha vida. Eles quiseram me prejudicar. Nunca estive com o Jorge. O rapaz é uma pessoa desequilibrada. Ora fala que foi estrangulada, ora que dei pros cachorros", disse.

Em relação ao então braço direito do goleiro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Bola explicou que só teria falado com ele uma vez por telefone, para que o filho pudesse jogar futebol. "A prova apresentada pelo promotor de que haveria várias ligações é falsa", garantiu.

Bola ainda jurou ser inocente em relação à morte de Eliza, emocionou-se ao lembrar de sua família e comentou uma tentativa de homicídio que teria sofrido. "Um homem invadiu minha casa. Eu estava assistindo televisão, e para me defender, dei um soco nele e ele caiu no vaso. Depois o coloquei para fora", comentou. O caso teria sido investigado e concluído como lesão corporal.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a assessoria do vereador Edson Moreira, mas até o momento, não recebeu nenhum posicionamento em relação a uma possível acusação contra ele.

Outras revelações recentes

Há oito dias, Jorge Luiz Rosa deu uma entrevista a rádio Tupi do Rio de Janeiro afirmando que sabia o local onde o corpo de Eliza foi enterrado. Segundo apontou, seria em uma estrada de terra, em Vespasiano, próxima ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves. A Polícia Civil foi ao local, realizou uma escavação, mas não encontrou nenhum indício de que o corpo da modelo foi colocado lá.

Enquanto esteve na capital, Rosa sustentou que todo o crime foi arquitetado por Bola e que a vítima tenha sido assassinada na casa do ex-policial civil.

Dias após a suspeita de que os restos mortais de Eliza pudessem estar na região metropolitana de Belo Horizonte, uma ossada humana foi encontrada em um terreno vazio próximo ao aeroporto, em Confins. Os ossos foram localizados por acaso por um funcionário de uma empresa de coleta de lixo na região e encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte. Ainda não é possível saber se os restos são do corpo de uma mulher, mas a Polícia Civil ainda não descarta que sejam de Eliza e aguarda o resultado do laudo.

Atualizada às 14h

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