O futebol e a vida

iG Minas Gerais |

O futebol brasileiro não muda. Os mesmos dos mesmos ano após ano. Evolução é uma palavra proibida. A cada quatro anos temos uma Copa do Mundo para nos fazer sonhar. A política não muda. Mesmos nomes, mesmos partidos, mesmas promessas. Dividir é uma atitude mesquinha. A cada quatro anos temos uma eleição para nos envergonhar. A economia não muda. A inflação é um escudo para tornar os ricos cada vez mais ricos. Imposto é coisa para pobre. A cada quatro anos tem uma crise para nos arrasar. A vida passa rápido, mas o suficiente para entendermos por que esses ciclos são importantes. Os que lucram com o futebol, com a política e com a economia estão sempre protegidos. O sucesso da Alemanha na Copa do Mundo não é só fruto do acaso de uma geração. É o resultado de uma grande vergonha que transformou o futebol alemão em exemplo. Exemplo de organização, de disciplina e trabalho. A melhor média de público nos estádios está na Bundesliga. O Borussia Dortmund joga para mais de 80 mil torcedores. Dos dez times que mais levam torcedores aos estádios, seis estão na Alemanha. A melhor média de público no Brasil é do Cruzeiro: 28 mil torcedores. Não tenho dúvida, a Alemanha é o país do futebol e também da política e da economia. Gol da Alemanha!

Quem sabe? Nossos grandes times não são tão grandes quanto os alemães porque a nossa política é rasteira e nossa economia, faceira. Mesmo com toda desorganização, o futebol brasileiro consegue sobreviver e manter viva a paixão dos torcedores pelos clubes. Vivemos na esperança de que um dia seremos grandes. Não precisa ser em tamanho, mas de caráter, dignidade e honestidade.

Receita. Clube grande precisa ter estádio, centro de treinamento, torcida e, logicamente, um time capaz de empolgar as pessoas para que elas consumam artigos com as cores do clube, como camisas e ingressos. A diretoria precisa entender do negócio e trabalhar pelo constante crescimento da marca. Dar alegria ao seu torcedor é o objetivo maior de um clube de futebol.

Sem acomodação. História e tradição também contam para se posicionar no mercado da bola. Em Minas Gerais temos três grandes clubes que alternam fases ao longo dos tempos. Em um mercado de alta competitividade e de escassez de matéria prima, é preciso ter muito talento e criatividade. O desafio é ser melhor do que no ano anterior.

Caminho certo. O Cruzeiro é o clube que está mais próximo desse equilíbrio. Vai emplacando dois anos de crescimento e o torcedor não tem do que reclamar. Os dirigentes conseguiram montar um time competitivo e um elenco forte. Tem um presidente fora dos padrões viciados, assessores com muito conhecimento do clube e de futebol, e um treinador com ideias novas. Não deixa de ser uma receita de sucesso.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave