O transitório como poética e metáfora da vida

Em “Fase Catarse”, fotógrafo mostra séries de imagens que refletem visões subjetivas sobre busca, convivência e luto

iG Minas Gerais | carlos andrei siquara |

Imagem de “Aluga-se”, uma das séries da exposição de Pedro David
Pedro David
Imagem de “Aluga-se”, uma das séries da exposição de Pedro David

Pedro David precisava encontrar outra casa no início de 2008 e isso o motivou a fotografar cada apartamento visitado, observando detalhes como qualquer inquilino. A partir dessa experiência, ele chegou à série de imagens “Aluga-se”, que encontrou ressonâncias em outras duas séries: “Coisas Caem do Céu” e “Última Morada”. Juntas, as três formam a exposição “Fase Catarse”, em cartaz no Museu Mineiro.

Em comum, cada conjunto está diretamente conectado a momentos vividos pelo artista. Já fixado na nova moradia, por exemplo, ele teve que lidar com a postura pouco cordial dos vizinhos, pois frequentemente objetos descartados por eles, pela janela, caíam na sua área privativa. Mais uma vez, o fotógrafo fez de uma atitude recorrente na sua rotina um ponto de partida para o seu trabalho e disso nasceu a coleção “Coisas Caem do Céu”.

“Eu comecei a colecionar e a fotografar os objetos que eu encontrava ali diariamente. Eram coisas de várias tipos, descartadas de qualquer jeito, e eu aceitei fotografá-las dando um outro sentido para aqueles elementos. Eu os retratei como profissionalmente faço com esculturas ou produtos”, explica.

Já em “Última Morada”, ele segue os rastros das memórias de sua mãe, por meio dos móveis e pertences deixados por ela em seu apartamento, após morrer. “Eu me vi em outra situação que também precisava enfrentar, e daquela vez tinha a ver com o luto. Eu quis ter o tempo necessário para retirar as coisas do lugar e depois guardá-las”, diz David, que apresenta esta série em um vídeo projetado no ambiente expositivo.

Ao refletir sobre a mostra, centrada no efêmero, David observa que ela espelha a partir um olhar particular, situações encaradas por todos. “Eu tento, a partir do que acontece comigo, chegar a outras pessoas, a partir de uma linguagem universal”, ressalta. Serviço. “Fase Catarse”. Até 31/8, no Museu Mineiro (av. João Pinheiro, 342, centro); 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h; 5ª, das 12h às 21h; sáb., e dom., das 12h às 19h. Entrada gratuita.

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