Experimentações argentinas

Jornalista e escritora Graciela Mochkofsky lança “Estação Terminal” e critica polarização da imprensa de seu país

iG Minas Gerais |

Estreia. Graciela Mochkofsky lança livro no Brasil pela primeira vez e participa de debate na Flip
Daniel Mordzinzki/Divulgação
Estreia. Graciela Mochkofsky lança livro no Brasil pela primeira vez e participa de debate na Flip

PARATY, RJ. A jornalista argentina Graciela Mochkofsky, 44 anos, ganhou projeção nacional com livros-reportagem que abordam episódios delicados da história recente de seu país. Em 2003, lançou “Timerman”, no qual traça a biografia de Jacobo Timerman (1923-1999), influente jornalista – e pai do atual ministro das relações exteriores da Argentina –, sequestrado e torturado durante a ditadura militar (1976-1983). Depois, veio sua obra mais importante, “Pecado Original”, que traça a relação entre o jornal “Clarín” e o poder argentino ao longo do tempo. 

No Brasil, onde participa da Flip – Feira Literaria de Paraty, Mochkofsky lança agora “Estação Terminal”, no qual destrincha o grave acidente de trem ocorrido em Buenos Aires, em fevereiro de 2012, causando a morte de 51 pessoas. “Foi um episódio emblemático da decadência que vive a Argentina”, contou. “O sistema ferroviário sempre foi um símbolo do nosso desenvolvimento. Isso marcou o início da queda de popularidade deste governo”, diz. Após o acidente, autoridades locais culparam a população, enquanto Cristina refugiava-se em sua casa, na Patagônia.

Mochkofsky participa de um debate, amanhã, com o colunista do “New York Times” David Carr. E se posiciona contra a divisão binária que tomou conta do jornalismo argentino atualmente. Num país profundamente polarizado ideologicamente, faz-se uma divisão entre jornalistas militantes e jornalistas ligados à grande imprensa.

Os primeiros são os representantes dos meios governistas, que compõem mais de 70% da rede de TVs, jornais e rádios do país. Os outros pertencem a jornais tradicionais, que fazem oposição ao governo Kirchner. O jornalismo, propriamente dito, sai chamuscado – e é difícil encontrar informações confiáveis em ambos os lados.

Mochkofsky faz críticas a esse cenário. “Cresci e me formei numa época em que o jornalismo argentino era muito bom, com excelentes modelos que sonhávamos imitar”, disse. “Quando cheguei ao mercado, participei de experiências históricas únicas, como integrar a redação do jornal ‘Pagina12’, contestador, criativo e influente. Infelizmente, o mundo mudou, e é preciso criar alternativas novas”.

Após uma passagem pelo tradicional “La Nación”, Mochkofsky percebeu que, para fazer jornalismo independente e profissional na Argentina, era preciso atuar fora dos grandes meios.

Batalha. Desde 2008, o governo argentino promove uma batalha, por meio de pressão econômica e mudanças na legislação, contra os jornais oposicionistas. Estes, para se defender, atuam de forma enviesada editorialmente, fazendo dura oposição. Mochkofsky iniciou um site de reportagens políticas, o “El Puercoespín”, no qual publicou, por quatro anos, textos de grandes nomes do jornalismo latino-americano e internacional, buscando ser uma alternativa aos meios tradicionais.

“Há várias opções de modelos que podem funcionar e serem rentáveis na internet. Ainda não se encontrou o ideal, mas há muita gente tentando. É um momento rico para a experimentação”.

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