Prefeitura não vistoria casas trincadas e revolta população

Segundo moradores, avaliação de imóveis afetados pelo aterro, que aconteceria na segunda-feira (21), foi suspensa porque administrador regional não pôde comparecer

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Saúde. 

População reclama de que problemas respiratórios se agravam
FOTO: ALEX BRANDAO / O TEMPO
Saúde. População reclama de que problemas respiratórios se agravam

 

Quase dois meses depois de O Tempo Betim publicar uma matéria revelando que o aterro sanitário do Citrolândia, apesar de ter sido fechado em 2011 pela ex-prefeita Maria do Carmo (MDC), continua causando prejuízos ao meio ambiente, além de trincas nas casas da região devido ao trabalho de retroescavadeiras, moradores se queixaram que a vistoria dos imóveis, agendada para acontecer na segunda-feira (21), foi suspensa porque o administrador regional não pôde comparecer.   A denúncia foi feita pela auxiliar administrativa Adriana Cristina Nunes, moradora da rua Cassimiro de Abreu – uma das mais afetadas pela compactação dos resíduos na área. Ela lamentou o fato de a pulação local “não estar sendo tratada com a atenção merecida” e disse que “no aterro entra quem quer, pois não há fiscalização”.   Por causa do ocorrido, moradores estão reunindo provas de que o depósito continua recebendo resíduos sólidos com o objetivo de apresentá-las ao Ministério Público (MP). “Há dois anos, houve um evento na região anunciando que o aterro estava sendo fechado. No entanto, as retroescavadeiras permanecem compactando resíduos no local. É uma situação lamentável. Em Betim, entra e sai prefeito com promessas de melhorias, mas nada muda. Eles priorizam tudo, menos o interesse da população”, criticou.   O marceneiro Gilson Moreira chegou a mostrar à reportagem um vídeo feito por ele em seu celular, recentemente, que mostra a proximidade entre as máquinas e as casas, que são separadas apenas por um muro. “A gente sente a casa tremendo com o trabalho das máquinas no terreno. Isso tem causado várias trincas nas paredes e no telhado. Além disso, estamos expostos a doenças perigosas. Há muitos ratos e baratas”.   Já o comerciante Célio Teodoro Amaral, que participou de uma reunião realizada no início de julho com uma comissão de representantes afetados com as trincas, o gerente do aterro e o administrador regional, disse que a prefeitura teria garantido que faria a vistoria nos imóveis, mas ressaltado que não seria possível reforçar a segurança no local porque o município não teria verba para isso. “Estamos no limite”, frisou Célio.   Problemas respiratórios E não é só de prejuízos financeiros e ambientais que a população reclama. Muitas pessoas que moram próximo ao aterro estão se queixando de problemas respiratórios.    A manicure Marina Maria Queiroz contou que, após a última queimada ocorrida na área, na terça-feira (22), seu filho, de 6 anos, teve que ser internado. “Ele sofre de bronquite, e, sempre que queimam os resíduos no aterro, as crises pioram. Na última semana, ele ficou internado por dois dias, respirando com muita dificuldade”, contou Marina, enquanto medicava o filho no sofá de casa. A dona de casa Maria Aparecida Ferreira, 45, também reclamou do mesmo problema. “É muita poeira”.   A prefeitura informou apenas que os processos de restauração e encerramento do aterro estão em fase final de licitação, tendo em vista a complexidade dos projetos técnicos a serem implantados, e que a previsão é que todo o processo seja concluído ainda neste ano.

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