Grupo é preso suspeito de comandar disque-drogas

Quadrilha organizada foi pega em flagrante atuando em diversos pontos do município; alto poder aquisitivo do líder do esquema chamou a atenção até do delegado

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Trabalho. 
Prisão de suspeitos se deu graças ao trabalho de policiais do 3° DP
FOTO: NELSON BATISTA / OTEMPO
Trabalho. Prisão de suspeitos se deu graças ao trabalho de policiais do 3° DP

A Polícia Civil apresentou, na quinta-feira (31), integrantes de uma quadrilha que trabalhava em um esquema de disque-drogas em Betim. Segundo as investigações, os trabalhos eram comandados por Pablo Joaquim da Silva, 33, e a companheira dele, Estefânia Kiyoto Pereira Phinen, 29.

Segundo o delegado do 3° Distrito Policial, Renan Gutierrez, o esquema criminoso funcionava por meio de uma central telefônica. “O usuário ligava, pedia a droga, e ela era entregue pelo traficante em um local combinado entre eles. Assim, todo o município era abastecido. Não tinham um ponto fixo”, explicou.

Outras três pessoas que trabalhavam para o casal foram detidas: João Gustavo Vila Verde Ferreira, 36, a esposa dele, Katarina Pinheiros de Almeida Vila Verde Ferreira, 29, e Giovani Gomes Ferreira, 40. “Cada um tinha uma função dentro da quadrilha”, frisou Gutierrez.

O grupo começou a ser desmantelado há um mês, com a prisão de Pablo, que foi detido em flagrante no momento em que entregava drogas a um cliente. Na sua casa, no bairro Alterosas, foram apreendidas 600 gramas de cocaína. Segundo o delegado, o suspeito já havia sido preso há alguns anos, também por tráfico. “Ele já era conhecido da polícia. Desde 2000, quando foi pego pela primeira vez e, depois, liberado, ele trafica e exerce o comando da organização. Aliás, após a sua prisão, ele ficou mais forte, pois reuniu mais gente para trabalhar em seu ‘esquema’”, ressaltou o policial.

Já Estefânia foi presa dias depois da prisão do marido. “No dia da prisão de Pablo, ela estava foragida em outro Estado. Mas as investigações continuaram e ela foi detida”, disse o delegado, ao ressaltar que, com ela, foi encontrado um celular que recebia ligações e diversas mensagens. “Um investigador nosso atendeu e viu que se tratava de Pablo. Mesmo dentro da cadeia, ele continua a comandar o disque-drogas”, completou.

Já João, que teria assumido o lugar de Pablo provisoriamente, foi detido na companhia de Giovani, identificado como braço-direito do líder do esquema.

Com Katarina, que é bacharel em direito, os investigadores encontraram uma apostila da Polícia Civil. De acordo com Gutierrez, a suspeita planejava prestar concurso público e ingressar na corporação para obter informações privilegiadas sobre o “sistema” e passá-las aos amigos da organização criminosa.  Negócio rentável

Outro fato que chamou a atenção do delegado foi o alto poder aquisitivo de Pablo. Somente a casa dele está avaliada em mais de R$ 700 mil. “Por mês, o grupo gastava mais de R$ 30 mil. Isso chamou a nossa atenção, pois nenhum deles tem vínculo empregatício”. Vários comprovantes de depósito relacionados ao tráfico de drogas foram encontrados com os suspeitos.

À reportagem, Pablo negou ser traficante. Ele disse que já foi preso anteriormente porque estava “no lugar errado na hora errada”. “Sou usuário, mas sou um homem trabalhador. Acordo cedo e durmo tarde todos os dias. Sou dono de uma distribuidora de bebidas no Espírito Santo”, disse. Já Estefânia não quis se pronunciar. Outros suspeitos são investigados.

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