Mais verba para a saúde não garante melhor atendimento

Pacientes, como Vitória Cristiny Silva Vicente, de apenas 6 anos de idade, chegam a ficar anos na fila do SUS à espera de um atendimento

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Sofrimento. 
Sandra Oliveira mostra os inúmeros exames feitos por sua filha antes de ela ser operada
FOTO: ALEX BRANDAO / O TEMPO
Sofrimento. Sandra Oliveira mostra os inúmeros exames feitos por sua filha antes de ela ser operada

 

“É comum ficar na fila esperando atendimento. Às vezes, chego a passar 12 horas na recepção de uma unidade de saúde”. É com naturalidade que a dona de casa Sandra Maria da Silva Oliveira, 48, que sofre de síndrome do pânico, fala sobre a demora para conseguir uma consulta no Sistema Único de Saúde (SUS) em Betim.    Apesar de a prefeitura ter investido R$ 261,6 milhões na saúde em 2013, R$ 30 milhões a mais que em 2011, é possível encontrar situações como a de Sandra facilmente no município, o que revela que investir mais recursos não está garantindo um melhor atendimento aos usuários.    Os problemas estruturais em hospitais e pronto-atendimento da cidade foram constatados entre os últimas dias 10 e 14 de julho, três anos depois da série de reportagens “Saúde Agoniza”, publicada por O TEMPO. A reportagem voltou aos mesmos lugares visitados em 2011 e apurou que, além do longo tempo de espera, os usuários também se queixam da falta de equipamentos, da carência de remédios, do déficit de médicos e das instalações precárias.    “Já acionei a Polícia Militar muitas vezes para conseguir atendimento”, disse Sandra. Ela também teve dificuldades para marcar uma cirurgia para a sua filha Vitória Cristiny Silva Vicente, de apenas 6 anos de idade. Até ser operada na última quinta-feira (24), a garota ficou três anos sofrendo os males provocados por uma hérnia inguinal bilateral.    “Eu sofria em ver minha filha sofrendo tanto. Ela chorava de dor, e eu, de pés e mãos atados, não sabia a quem recorrer”, contou Sandra, ao lembrar que, há alguns meses, o pedido de cirurgia feito por um médico da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Vila Cristina sumiu. “Foram três anos de muito sofrimento. Fiquei esperando chamarem minha filha para a operação e só descobri o motivo de tanta demora quando voltei à UBS e fui informada de que o pedido dela havia sido extraviado”, ressaltou Sandra.    Já o filho de 13 anos do motorista Adriano França, 35, que em julho ficou cinco dias internado no Hospital Regional por causa de uma fratura no braço, saiu sem cirurgia. “Eles viram que estava torto (o braço) e pediram a internação. Ficou internado sem necessidade, e o braço foi engessado”, reclamou.    Na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Teresópolis, pessoas ansiosas lotavam a sala de espera. “Estou com dor no peito e dificuldade para respirar, mas a moça disse que vou ser atendido só depois das 19h”, afirmou, por volta das 17h, o auxiliar de serviços gerais Carlos Alberto, 50.   'Problemas de gestão' Na avaliação do pediatra e secretário-geral do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Fernando Mendonça, há problemas de gestão da rede pública na região metropolitana. “Não estão preocupados em dar à população o atendimento que ela merece. Nesse período, as soluções apresentadas não foram satisfatórias”, afirma.    O médico, que trabalha no SUS, também acredita que o cenário da saúde, no decorrer desses últimos três anos, “está igual ou pior”. (Com Aline Diniz)

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