Boas ações de torcedor valem encontro com Ronaldinho

Gustavo ajudou na campanha de apoio à mãe do jogador e teve texto lido na preleção da final da Libertadores; desta vez, reuniu "obrigados"

iG Minas Gerais | THIAGO NOGUEIRA |

No último dia do craque, abraço de Ronaldinho deixou Gustavo Rogana emocionado
Arquivo pessoal
No último dia do craque, abraço de Ronaldinho deixou Gustavo Rogana emocionado

O abraço de um craque e o choro de toda uma torcida. Assim, na quarta-feira, longe das câmeras, o atleticano Gustavo Rogana fez as honras de representante da Massa e prestou as últimas homenagens a Ronaldinho Gaúcho. “Foi o dia mais feliz da minha vida junto com a final da Libertadores”, conta Gustavo, que se derramou em lágrimas ao receber o abraço do jogador

O estudante de 18 anos foi um dos torcedores que o craque recebeu nas dependências internas da Cidade do Galo. Gustavo tinha dois pen drives, um com um texto de despedida (leia na íntegra abaixo), e outro com um vídeo de 180 “obrigados”, reunidos graças a uma campanha nas redes sociais. Veja o vídeo:

Embora não conhecesse Gustavo, Ronaldinho já sabia de quem se tratava. Todos os gestos de paixão e carinho dos últimos meses tinham sido relatados pelo irmão e empresário Assis, uma espécie de “padrinho” do encontro.

Em 2012, pelas redes sociais e no portal 13GaloNews, Gustavo ajudou a impulsionar a campanha de apoio ao craque e à mãe, Miguelina, que passava por um tratamento contra o câncer. Um dos atos foi a fixação de uma faixa no Independência com os dizeres “Fé em Deus” antes do jogo contra o Grêmio.

Além disso, o texto da preleção da final da Libertadores, gravado pelo jornalista Chico Pinheiro a pedido do técnico Cuca, era da autoria de Gustavo Rogana. Mas, para que tudo isso chegasse aos ouvidos de R10, foi preciso um pouco de destreza.

Encontro

Na última segunda-feira, quando Gustavo soube que Assis e o presidente Alexandre Kalil discutiam o futuro de Ronaldinho em um restaurante da região Centro-Sul da capital, Gustavo não titubeou e foi para lá. Na saída, conseguiu abordar o empresário.

O estudante descreveu suas iniciativas. Encantado, Assis fez um convite. “Por que você não vai no CT na despedida?”, propôs o irmão de Ronaldinho. “Mas eu não sou sócio-torcedor, como faço?”, rebateu. “Pode deixar, que consigo. Mas você vai escrever um texto para o Ronaldo de despedida”, disse o empresário.

Gustavo, então, resolveu, não só fazer o texto, como reunir o depoimento de torcedores. Ele pediu a colaboração pela internet e recebeu quase duas centenas de vídeos do Brasil e de outros países. Com a ajuda do amigo Bernardo Frossard Papini, que passou a madrugada editando o vídeo, Gustavo conseguiu levar a lembrança. Ao lado de um tio e um primo, ele visitou a Cidade do Galo pela primeira vez.

Autoria

Segundo Gustavo, o texto lido por Chico Pinheiro foi “achado” por Cuca na internet. Antes da decisão contra o Olimpia, o treinador pediu ao jornalista que transformasse a mensagem em um vídeo motivacional para exibir aos jogadores. Veja o vídeo:

O estudante soube que era seu texto quando o material foi divulgado posteriormente. Pelo Twitter, Gustavo conversou com Chico Pinheiro. “Ele me parabenizou, disse que ficou bacana”, comentou o estudante. Mesmo  preferiu não solicitar os direitos autorais justamente por sua paixão pelo Atlético, descrita em texto publicados durante quatro anos no portal 13GaloNews. O site não está mais no ar.

ÍNTEGRA DO TEXTO ENTREGUE A RONALDINHO GAÚCHO:

“Eu amo a vida, eu não quero perder um minuto se quer, eu adoro viver. Eu amo a vida, o dia amanhece eu faço minha prece para agradecer. Eu amo a vida...” O atleticano ama a vida. O atleticano se levanta todas as manhãs, dá a cara aos tapas e vai na fé. Vai sem medo, sem medo de falhar, sem medo de triunfar e seja o que Deus quiser. Este é o atleticano. Este é Ronaldinho Gaúcho, ou melhor, Ronaldinho do Galo. Ronaldinho do Galo é o cara que faz valer a máxima de Cuca, na qual se diz: “No Atlético, você entra funcionário e sai torcedor”. E você, R10, hoje deixa o Atlético não só como mais um craque a vestir nosso manto, mas sim como mais um torcedor. Você deixa os gramados e vai para as arquibancadas se vestir de preto-e-branco e gritar “Aqui é Galo, porra”.  Nunca nos esqueceremos do dia em que você chegou aqui, bombardeado pelas críticas e com medo de mostrar este seu sorriso que ganhou o mundo. Sabe porquê? Pois foi a última vez que aquele Ronaldinho foi visto. À partir daquele momento, você se transformou. E transformou consigo este clube, transformou consigo a torcida. Nós te estendemos as mãos e, em troca, você se deu à nós. O maior artista da bola que já existiu voltou a ser apenas um menino com a vontade de chutar uma bola, correr e se sujar de terra. Não gosto de clichês, R10, mas vai ser impossível não dizer que esta despedida não tem seu lado ruim e seu lado bom. O lado ruim é o mais duro, claro: é a perda de um ídolo em campo, é a perda da magia, é a perda do canto “Eô, eô, Ronaldinho é o terror”; mas o lado bom é gratificante: é a sua eternização. Você será para sempre o Ronaldinho do Galo. E vai ser bom poder me lembrar e contar para os meus filhos e netos que te vi socar o ar em seu primeiro gol com o manto alvinegro, que te vi arrancar do meio de campo e fazer um gol de placa no Cruzeiro, que te vi cruzar para Léo Silva virar sobre o Fluminense aos 47 do segundo tempo, que te vi ser CAMpeão Mineiro, da Libertadores e da Recopa pelo Galo, enfim, que vi você se encarnar o espírito Galo Doido. Ronaldinho, sem mais delongas. Jamais conseguiria descrever o quão importante você sempre será para a torcida que você chama de “os cara”. Se me permite resumir em uma palavra estes últimos dois anos e dois meses, eu diria “sonho”. Sonho que, infelizmente, eu acordo dele hoje. Então, só me resta te agradecer. Obrigado, Ronaldinho. Obrigado por nos fazer acreditar novamente, obrigado por devolver o brilho dos nossos olhos, obrigado por nos fazer temidos outra vez, obrigado por honrar e respeitar nossas cores, obrigado por ser o Ronaldinho do Galo. Seu legado é enorme e sempre será lembrado por todos. Vai na fé, meu ídolo. OBRIGADO, RONALDINHO!

 

Leia tudo sobre: Gustavo RoganaRonaldinhodespedidaCidade do GaloAssis