Bolsa encerra julho na liderança de ranking de investimentos

Bom desempenho do mercado acionário local fez com que os fundos de ações livre -alternativa para o pequeno investidor que quer aplicar em Bolsa- registrassem valorização de 3,62% no mês

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Com alta de 5% em julho e 15,75% em 12 meses, a Bolsa liderou o ranking de investimentos da Folha de S.Paulo tanto no mês quanto em 12 meses. O bom desempenho do mercado acionário local fez com que os fundos de ações livre -alternativa para o pequeno investidor que quer aplicar em Bolsa- registrassem valorização de 3,62% no mês, enquanto em 12 meses a alta é de 10,99%. Após o desconto de Imposto de Renda (de 15% na categoria, independentemente do prazo), a alta mensal cai para 3,08% e o retorno em 12 meses é de 9,34%.

A lanterna em julho ficou com o ouro, que caiu 1,06%. A inflação projetada para julho, de acordo com o IPCA (índice oficial) é de 0,15%, segundo pesquisa mais recente feita pelo Banco Central com economistas. No ano (até junho, dado mais recente disponível) está em 3,75%, enquanto em 12 meses o avanço é de 6,52%.

O ranking da Folha de S.Paulo considera o rendimento das aplicações descontado o Imposto de Renda, quando incidente, para resgate em um mês e após 12 meses. Vale destacar que, quando há perda, o IR não é cobrado. No caso dos fundos de investimento, os cálculos usam como base os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Além do desempenho mensal, que ajuda a identificar as principais influências sobre os investimentos nesse período, o retorno em 12 meses é considerado por refletir o comportamento dos investimentos em um prazo maior, corrigindo eventuais oscilações de curto prazo. Manter uma aplicação por pelo menos um ano também reduz a alíquota de Imposto de Renda a pagar -de 17,5% até o mínimo de 15% na renda fixa.

Antes de tomar uma decisão, o investidor não deve levar apenas em conta a rentabilidade passada, pois, como bem alertam os informativos de fundos e outras aplicações, ela não é garantia de rentabilidade no futuro.

Bolsa

A alta da Bolsa no mês e em 12 meses tem influência da divulgação de pesquisas eleitorais mostrando perda de espaço da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida pelo Planalto, afirmam analistas ouvidos pela reportagem. Para eles, os investidores veem a gestão da presidente Dilma Rousseff como "intervencionista". Com isso, uma troca de governo significaria uma mudança na forma de gerir empresas estatais, como a Petrobras.

Desde que começaram a ser divulgados os levantamentos, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, inverteu a tendência de queda iniciada em 2013 -quando caiu 15,5%- e passou a subir. No ano, o índice acumula alta de 8,39%. Desde março, quando começaram a ser divulgadas as pesquisas de intenção de voto, a alta do Ibovespa supera 10,7%.

E as eleições devem continuar a influenciar a Bolsa nos próximos meses. "É algo que deve se estender até outubro. Conforme as eleições se aproximam, os levantamentos podem tomar mais relevância no mercado, especialmente com o início da campanha eleitoral nos meios de comunicação", diz o analista João Pedro Brügger, da consultoria Leme Investimentos.

Brügger ressalta, porém, que é preciso se atentar ao cenário internacional. "O mercado está dando pouca relevância para o exterior, principalmente nos conflitos no leste europeu e no Oriente Médio. Se a situação se agravar por lá, isso pode motivar uma aversão ao risco generalizada e, neste caso, os emergentes são os primeiros a sofrer", completa.

Para Roberto Indech, analista da plataforma de investimento Rico.com.vc, a agenda eleitoral deve ser a principal influência até o fim do ano. "Até que se resolva quem será o próximo presidente pelos próximos quatro anos a Bolsa estará sujeita a forte volatilidade. Outro fator que pode pesar é algum anúncio concreto dos Estados Unidos envolvendo a alta dos juros do país, que pode trazer mais instabilidade ao mercado", avalia.

Dólar

Com a alta de 2,71% do dólar no mês, os fundos cambiais -alternativa para o pequeno investidor que quer aplicar em moeda estrangeira- avançaram 0,4% (ou 0,33% após desconto do IR). Em 12 meses, porém, acumulam desvalorização de 0,83%, enquanto a moeda americana cai 0,87%.

Os fundos cambiais e a compra direta da moeda americana só são indicados por consultores financeiros ao pequeno investidor se ele tem despesas programadas -como com um filho que mora no exterior, no primeiro caso, e uma viagem de férias, no segundo.

Como opção de investimento fora desse contexto, afirmam consultores, o dólar é muito instável para o pequeno investidor e, no longo prazo, a renda fixa acaba pagando mais. "Na comparação com o mês anterior, o dólar não tem oscilado muito. Os esforços do Banco Central para manter a cotação da moeda americana entre R$ 2,20 e R$ 2,25 têm funcionado. Nos últimos dias, porém, o dólar se valorizou e fugiu um pouco desse nível, especialmente por preocupações em relação à política monetária dos EUA", diz Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Para o economista, é preciso monitorar o exterior. "É provável que o real e as demais moedas globais se desvalorizem em relação ao dólar quando o banco central dos EUA começar a subir os juros por lá, no ano que vem. Por enquanto, o BC brasileiro tem instrumentos para administrar o valor do dólar", completa.

Renda Fixa

Os fundos de renda fixa tiveram ganho de 0,9% no mês (ou 0,74% após desconto de IR). Em 12 meses, o avanço é de 8,42%, depois de Imposto de Renda.

Já os fundos DI -que investem principalmente em títulos públicos e privados pós-fixados- registraram ganho de 0,68% no mês (já descontado o IR) e de 8,30% em 12 meses. A alta se deveu principalmente às sucessivas elevações da Selic, a taxa básica de juros da economia, ao longo de um ano -entre abril do ano passado e abril deste ano.

A poupança -para todas as datas de depósitos- teve valorização de 0,61% no mês. Em 12 meses, o ganho foi de 6,83% para depósitos feitos até 3 de maio de 2012 e de 6,81% para os realizados depois disso. Não há incidência de IR na poupança.

Ouro

Na lanterna do ranking elaborado pela Folha de S.Paulo está o ouro. O metal registrou desvalorização de 1,06% no mês e de 4,12% em 12 meses.

A queda foi influenciada pela desvalorização do ouro no mercado internacional no mês, após alta registrada em junho. Para investir em ouro, é possível comprar contratos negociados na BM&FBovespa, que são padronizados em 250 gramas.

Com o grama hoje a R$ 93, quem quiser comprar uma barra terá de desembolsar R$ 23.250. Há corretoras, porém, que oferecem contratos com quantidades menores do metal.

Também é possível optar por fundos que aplicam no metal. É preciso, no entanto, ficar atento à taxa de administração desses fundos e ao valor da aplicação inicial, que pode inviabilizar a entrada do pequeno investidor.

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