O sucesso a qualquer preço

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Em um mundo tomado pelas redes sociais, falar em privacidade pode soar obsoleto. Para ganhar curtidas e compartilhamentos, tudo é exposto, seja por vontade própria do usuário ou não. Mas o fato é que, como disse certa vez Millôr Fernandes, “quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso”.   Essa máxima poderia servir de sinopse para “Quem Ri por Último, Ri Melhor”, versão de Artur Xexéo para “The Little Dog Laughed”, do norte-americano Douglas Carter Beane, em cartaz de 8 (sexta) a 10 (domingo), no teatro Sesiminas. “Quem Ri por Último...”, que tem direção de Cininha de Paula, aborda o mundo das celebridades e as escolhas que elas devem fazer para se manter no topo, mesmo que isso signifique permanecer no armário. “É um espetáculo sobre a agente de um ator que tenta manipular a vida sexual dele para não seja exposta na mídia”, define a atriz Danielle Winits, que interpreta a agente Dione.   Decidida, ardilosa e com opiniões fortes, como bem qualifica Winits, Dione precisa proteger a imagem de galã cultivada pelo astro do cinema Mateus, vivido por Julio Rocha, escondendo suas aventuras homossexuais com o garoto de programa Alex (Rainer Cadete). A história fica ainda mais enrolada porque este tem uma namorada, Helena (Sara Freitas).   De humor ácido, “Quem Ri por Último...” traz à tona uma série de implicações éticas e morais que envolvem a essência e os verdadeiros anseios das pessoas versus a impressão que elas querem ou precisam deixar na sociedade.   Aquele eterno dilema, sobre o qual Winits opina: “a gente tem que aceitar os limites do outro, o que o outro quer dividir. Ninguém tem que assumir com quem dorme se não quiser, independentemente de ser homem ou mulher. Uma questão tão particular merece todo respeito. Sempre tive do meu lado pessoas que compactuavam com minhas opções”, declara.   Inspiração   O texto de Douglas Carter rendeu à atriz Julie White o Tony de melhor atriz em 2007. Aliás, a premiada atuação da norte-americana foi inspiração para Winitis. “Julie White é uma atriz maravilhosa. Quis ver Julie atuando, fazendo essa personagem que é bastante forte. Mas também gosto de seguir minha intuição. Além do mais, o trabalho do teatro é diário, ele nunca está pronto, sempre acabamos ouvindo opiniões e tirando algo de positivo do público”, comenta a atriz.  E bota positivo nisso. Segundo Winits, alguns momentos da peça chegam a ser aplaudidos em cena aberta, tamanha a identificação do público com o tema. “A gente vive em um mundo com muito preconceito, mas acredito que estamos caminhando a passos largos para uma nova era, de respeito, de não julgamento, onde cada um faz o que quiser. Temos cena de beijo homossexual e ela é muito aplaudida, vemos uma grande busca por respeito”. Algo que a televisão, para a atriz, tem contribuído bastante. A TV tem uma grande influência nessas questões e eu acho que estamos no caminho. Não apenas pelos beijos que têm sido mostrados ultimamente, mas pelos temas abordados, pelo texto também, a TV tem um grande papel”. E por falar em TV, a atriz espera voltar ano que vem, mas não revelou em qual projeto.     Quem Ri por Último Ri Melhor De Douglas Carter. Versão brasileira de Artur Xexéo Com Danielle Winits, Júlio Rocha, Rainer Cadete e Sara Freitas Teatro Sesiminas (r. Padre Marinho, 60, 3241-7181, Santa Efigenia). Dias 8 (sexta) e 9 (sábado), às 21h; e 10 (domingo), às 19h). R$ 70 (inteira).

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