Hora de rever o Grupo Corpo

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Um ano após a estreia e uma turnê que passou pela América do Norte, Europa e Ásia, sendo visto por mais de 35 mil pessoas, a mais recente obra do Grupo Corpo, “Triz”, continua expressando a tensão intrínseca à sua gestação. “Eu estava no meu limite, precisava criar essa peça, mas não conseguia caminhar. Então, estava nesse limiar e resolvi tomar isso como a ideia central. Hoje vejo ‘Triz’ como o resultado desse processo tenso, e adoro o que ela se tornou. Quando olho para trás, vejo que valeu a pena”, comenta Rodrigo Pederneiras.    “Triz”, em programa duplo complementado por “Onqotô”, poderá ser revista pelo público de 7 (quinta) a 10 (domingo), no Palácio das Artes.   À época de “Triz”, o coreógrafo precisou passar por uma cirurgia para reconstituir o tendão do ombro e dois músculos do braço esquerdo, além de enfrentar um rompimento do menisco do joelho esquerdo, desafios que transformaram profundamente seu jeito de trabalhar.   Sob o imperativo da imagem mitológica de Dâmocles com uma espada presa por um fio de crina de cavalo sobre sua cabeça, o espetáculo traz o “por um triz” em seu cerne. Como Pederneiras estava impossibilitado de passar os movimentos aos bailarinos através de seu próprio corpo, ele precisava verbalizá-los, o que colocava o processo de criação nos limites da tradução e do entendimento. “A vida inteira eu coreografei mostrando cada passo, cada detalhe aos bailarinos. Quando comecei a criar ‘Triz’ eu estava em uma cadeira de rodas. Foi um processo difícil, tive que mudar minha forma de trabalhar que adotei durante anos e anos, e vi que também podia dar certo”, conta.   Mas isso foi possível especialmente porque se trata de bailarinos do quilate do Corpo. “A participação deles foi fundamental, eles deram ideias novas, criando frases inteiras, foram absolutamente maravilhosos”. A trilha sonora é de Lenine e foi composta com instrumentos de corda.   “Onqotô”   Se “Triz” marca pela coragem, “Onqotô” retorna com temas atemporais. Apresentada em 2005 como celebração dos 30 anos do grupo, a obra dança a pequenez do homem diante da vastidão do universo com trilha de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik. “Essas duas peças muito especiais são muito fortes. Dentre todas as obras do Corpo, algumas eu tenho um carinho maior e elas estão nesse grupo”, comenta Pederneiras.   Grupo Corpo Em “Triz” e “Onqotô” Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Dias 7 (quinta), 8 (sexta) e 9 (sábado), às 20h30; e 10 (domingo), às 19h. R$ 80 (inteira).   

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