BH sedia 2ª edição da Copa Butija de tênis em cadeira de rodas

São aproximadamente 60 participantes de países da América do Sul e da Europa, além da inclusão da categoria Quad, destinada a tetraplégicos

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Competição começou nesta quinta-feira e vai até o dia 3 de agosto
Divulgação
Competição começou nesta quinta-feira e vai até o dia 3 de agosto

Imagine um campeonato onde todos os participantes iniciam e finalizam sua trajetória no certame como vencedores. Um torneio em que o simples ato de adentrar na quadra simbolize a superação, uma lição de vida que não precisa ser rotulada em troféus, medalhas e honrarias que o passar do tempo pode corroer. Pois este campeonato existe e ele está sendo disputado em Belo Horizonte, mais precisamente nas quadras da Associação Esportiva Ermelinda Vital (ASEV), na Avenida Otacílio Negrão de Lima, bairro Bandeirantes, desta quinta-feira até o dia 3 de agosto. Belo Horizonte sedia a 2ª edição da Copa Butija de Tênis em Cadeira de Rodas, torneio que este ano será abrilhantado por competidores internacionais. São aproximadamente 60 participantes de países da América do Sul e da Europa, além da inclusão da categoria Quad, destinada a tetraplégicos e, até então, inédita no Brasil.  Um prêmio à dedicação de paratletas como Ymanitu Silva, catarinense de Tijucas. Em 11 de maio de 2008, um acidente de carro limitou suas funções motoras, mas foi no tênis, esporte que pratica desde a juventude, que Mani – como é conhecido – reencontrou forças para continuar. “Estou com 31 anos, dos 10 aos 17 anos sempre joguei tênis. Sofri o acidente aos 24 anos, e acabei iniciando um tratamento específico no Hospital Sara Kubitschek, em Brasília. Lá eu encontrei a Regiane Cândida, atleta da seleção brasileira de tênis em cadeira de rodas, e ela me apresentou o esporte. Foi amor à primeira vista. Tive a certeza de que poderia continuar minha vida por meio do esporte”, afirmou Ymanitu. “Quando eu voltei para o Sul, em Tijucas, iniciei os treinamentos para competir em alto nível e, desde então, venho conseguindo os resultados”, completa o paratleta, medalha de ouro individual e prata em duplas com a seleção brasileira nos Jogos Parasul-Americanos em Santiago, no Chile, realizados em março deste ano. De olho no Rio. Participante da categoria Quad, Ymanitu vê a Copa Butija em BH como a possibilidade de subir ainda mais no ranking da modalidade. O objetivo do paratleta, de carreira curta, mas com muito talento, é disputar os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “É muito difícil ter torneios deste tipo aqui no Brasil, ainda mais com participantes internacionais. É importante estar pontuando no ranking. Para mim, é sempre um privilégio defender a nossa seleção, ver a nossa bandeira lá no alto do pódio. Passa todo um filme na cabeça. Espero ter o prazer de sentir isto no Rio, em 2016”, destaca Ymanitu. Quando não se mede esforços para sonhar E são histórias de vida como a de Ymanitu que motivam Léo Butija, organizador do torneio e um dos treinadores da seleção brasileira de tênis em cadeira de rodas. Com uma bolsa concedida pelo Governo Federal de R$ 1.500 e a ajuda de alguns patrocinadores, ele mantém um projeto social chamado de “Butija Tennis”, voltado aos cadeirantes. As dificuldades são inúmeras para sustentar o trabalho, tantas que Léo precisa fazer pequenos milagres econômicos para sustentar o sonho dos paratletas que estão ao seu lado. Uma prova disto é a 2ª edição da Copa Butija.  “Por este ano ser eleitoral, nossa verba diminuiu bastante. Por conta da burocracia da Prefeitura de Belo Horizonte, eu estou correndo atrás de novas formas de arcar com o torneio. Está sendo difícil, estou pagando R$ 5 mil reais do meu bolso para concretizar todo o planejamento, mas eu não sou um organizador, sou um treinador de tênis. No entanto, aos poucos, as coisas vão se encaixando e eu vou conseguindo ajustar tudo”, aponta. “Há quatro anos, eu quase parei com o meu projeto social. Mas recebi apoio da Federação Mineira de Tênis para continuar. Nós não somos nem uma ONG, o local que treinamos é alugado, nem recebemos patrocínio. Se tivéssemos, poderíamos ajudar muito mais cadeirantes a se encontrar no esporte”, completa Butija. Mas, na mente de Léo, todos os obstáculos se tornam menores quando pessoas, antes à margem na sociedade, ganham um novo sentido de existência nas quadras. “O que motiva a gente é isto, os nossos atletas. A felicidade de cada um deles. Na quadra, eles deixam um histórico de sedentarismo, de limitação, e se encontram, sorriem, brincam, praticam esporte. Continuamos lutando, claro, com os buracos nas ruas, a falta de acessibilidade nos coletivos e prédios, mas aqui é um recanto de paz para cada um deles”, afirma o orgulhoso treinador, que agora almeja mais medalhas para o desporto paralímpico brasileiro em 2016.

SERVIÇO Evento: Butija Wheelchair Tennis Cup 2014 Data: 31/07/2014 a 03/08/2014 Local: AESEV – Associação Esportiva Ermelinda Vital (Av. Otacílio Negrão de Lima, 7030) Entrada Franca.

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