Com 0,1% da malha rodoviária, Anel tem 42% dos acidentes

A via tem apenas 27,3 km do total de 20.849 km, enquanto concentra 1.438 das 3.360 batidas

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Desesperança. Muitos motoristas preferem trajetos mais longos a passar pelo Anel para fugir de batidas
ANDRE FOSSATI / OTEMPO
Desesperança. Muitos motoristas preferem trajetos mais longos a passar pelo Anel para fugir de batidas

Com apenas 27,3 km, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte é responsável por 42,3% dos acidentes registrados nas rodovias estaduais e nas federais delegadas ao governo de Minas. No primeiro semestre de 2014, foram 3.360 batidas nos 20.849 km de rodovias pelo Estado. Só no Anel, que representa 0,1% da malha estadual, foram 1.438 acidentes. Os dados são da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), responsável pela fiscalização nessas rodovias.  

A explicação para tantos acidentes em um trecho tão pequeno pode estar no número de veículos que passam pela via. Por dia são 153 mil carros, caminhões, motos e ônibus no Anel Rodoviário. De acordo com a pesquisa Origem e Destino, feita em 2012, essa é a via com o maior movimento da região metropolitana e, provavelmente, o trecho rodoviário mais movimentado de Minas.

Somam-se a esse movimento pontos de estrangulamento com redução de faixas, uma mistura de tráfego urbano com rodoviário. O resultado são longos congestionamentos e graves acidentes. “Quem usa o Anel como uma via urbana se comporta de uma forma, e quem está em uma viagem longa acha que aquele trecho é igual a qualquer outra rodovia. Isso resulta em um número elevado de acidentes”, analisou o professor de engenharia de transportes e trânsito da Universidade Fumec Márcio Aguiar.

Para exemplificar a situação, Aguiar cita os motociclistas. “Há um número enorme de motos passando pelo Anel. Elas utilizam os corredores como se fossem avenidas, mas disputam espaço com caminhões pesados. Essa disputa muitas vezes resulta em acidentes, em sua maioria fatais”, disse.

Medo. Diante do alto número de acidentes, muitos motoristas de Belo Horizonte preferem não passar pelo Anel, mesmo tendo que fazer percursos mais longos para chegar ao destino. Depois de um acidente em 2011 que matou cinco pessoas e deixou outras 12 feridas, o engenheiro Clemenceau Chiabi Saliba fez um acordo com a mulher e os dois irmãos para não passar mais pelo Anel em dias úteis. “Chegamos a essa conclusão por medo de sermos vítimas de uma tragédia. Uma vez dentro do Anel, não tem como fugir, e você fica parado no congestionamento com medo de ser atingido por uma carreta”.

A reforma do Anel é um sonho antigo dos belo-horizontinos, mas até hoje não há previsão de obras (veja mais no quadro ao lado). “Por não serem do mesmo partido, os governos federal e estadual não se entendem. A obra não sai, e quem sofre é o cidadão, que fica à mercê dessa disputa política”, reclama Chiabi.

Concessão Anel. Em sua edição desta quarta, O TEMPO mostrou que o trecho entre o Olhos D’Água e o Califórnia fará parte da concessão da BR–040 e terá serviços aos usuários a partir de outubro.

Linha Verde registrou alta de 31% Depois do Anel Rodoviário, a via que tem o maior número de acidentes em Minas é a MG–010, conhecida como Linha Verde. Com 468 colisões no primeiro semestre deste ano, a rodovia representa 13,93% de todas as batidas registradas nas rodovias estaduais ou federais delegadas. Outro problema é que há uma tendência de aumento dos acidentes na via. Na comparação entre os primeiros seis meses de 2014 e o mesmo período de 2013, houve uma alta de 31% nas colisões. Outra rodovia que apresentou alta foi a BR–356, com crescimento de 27% no mesmo período.

Possíveis soluções

Reforma. A revitalização do Anel prevê alargamento da via, criação de novas marginais, duplicação de viadutos e troca de toda a pista de asfalto por concreto.

Sem previsão. O projeto para a reforma dos trechos mais complicados já foi finalizado pelo DER-MG. Porém o Dnit é quem vai licitar a obra e não descarta Regime Diferenciado de Contratação (RDC), o que exigiria um novo projeto. Enquanto não há definição, não há prazo para o início das obras.

Rodoanel. Será uma via alternativa ao Anel e vai tirar 60 mil veículos da via diariamente.

O trecho Norte, de responsabilidade do Estado, já está com licitação aberta. Já o trecho Sul, que será feito pela União, espera a conclusão do projeto. O mesmo ocorre com o trecho Leste, que será construído pela prefeitura da capital.

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