Sem compromisso com estereótipos

Filme de James Gunn abusa do humor em trama intergaláctica e acerta

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Errantes. Guerreiros marginais acidentalmente se unem para salvar a galáxia onde vive o tirano Thanos
Disney / Divulgação
Errantes. Guerreiros marginais acidentalmente se unem para salvar a galáxia onde vive o tirano Thanos

A segunda cena de “Guardiões da Galáxia”, filme que estreia hoje nos cinemas, resume com fidelidade a proposta do primeiro longa live-action da Marvel no espaço. Nela, o protagonista Peter Quill (Chris Pratt) aterrissa sua nave em um planeta devastado e, ao ligar um aparelho que projeta imagens holográficas, encontra o caminho até um edifício antigo.

Ao chegar lá, tira sua máscara, coloca fones no ouvido, liga seu walkman e começa a dançar. A música em questão é “Hooked on a Feeling”, sucesso dos anos 1960. Ao som dela, Pratt faz uma coreografia um tanto sem jeito em meio a escombros, com um ar descompromissado e usando como microfone um dos pequenos monstrinhos que encontra no caminho. A cena sintetiza os componentes estruturais do filme: cenas de ação, alienígenas, comédia e, acima de tudo, um ar de despreocupação.

Durante as duas horas, o longa dirigido por James Gunn consegue equilibrar com eficácia cenas cômicas às batalhas intergalácticas, tudo isso com uma leveza saudável e agradável.

Para a construção desse cenário, ganham vida os personagens que surgiram pela primeira vez nos quadrinhos da Marvel Super-Heroes em 1969: a assassina Gamora (Zoe Saldana), o guaxinim atirador Rocket (voz de Bradley Cooper), o brutamontes Drax (Dave Bautista, mais conhecido dos ringues norte-americanos de luta livre profissional), a árvore humanoide Groot (voz de Vin Diesel) e Peter Quill, que “patetamente” se apresenta como Senhor das Estrelas.

Ao contrário de grupos de super-heróis vistos em outras produções, os protagonistas aqui não são modelos de bom comportamento. Todos são criminosos sem escrúpulos, que se encontram pela primeira vez em uma briga entre eles mesmo (com exceção de Drax, que entra em cena posteriomente). O motivo do combate é ficar com a Orb, um valioso objeto roubado por Quill.

Nenhum deles sabe o que o objeto precioso tem de especial, mas é algo que o tirano genocida Ronan (Lee Pace) deseja obter para entregar ao seu patrono Thanos, o mais poderoso oponente da galáxia na qual se passa a história.

Mas a trama e subtramas (a união acidental e interesseira dos protagonistas é impulsionada pelo passado marcado por perdas de cada um deles) acabam ficando um pouco de lado, já que o foco da narrativa está nos cinco personagens.

Nesse contexto, o ponto de destaque de “Guardiões da Galáxia” é mostrar o quão engraçada pode ser a recorrente jornada de super-heróis para salvar o mundo, e Gunn faz isso sem poupar os estereótipos de sucesso já consagrados pela Marvel. A produtora é responsável pelas franquias do Homem de Ferro e do Capitão América, que são bem mais sérios que os desajustados vistos aqui.

Músicas. A trilha sonora tem lugar especial no longa-metragem. Além dos sucessos dos anos 1960 e 1970, as músicas são peça fundamental na saga, algo incomum em filmes do gênero.

Sucessos como “Moonage Daydream”, de David Bowie, e “I Want You Back”, do The Jackson 5, fazem parte da “Awesome Mix Vol. 1”, uma coletânea de clássicos da época dada a Quill por sua mãe quando era um criança.

As músicas acompanham a trajetória até a batalha final, que soa cansativa ao olhar do espectador que já presenciou tantas outras nos minutos anteriores. Algo, no entanto, insuficiente para tirar o brilho do filme, que, mesmo antes de estrear, já tinha continuação confirmada para 2017.

Sinal de confiança da produtora no filme, que acertou em se afastar dos típicos super-heróis que temos visto nas telas no últimos tempos ao entregar para o público um filme de HQ para rir.

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