Campanha fica nacionalizada e pode afastar os eleitores

Candidatos ao governo de Minas repetem discursos dos concorrentes à Presidência da República

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda e Guilherme Reis |

Fernando Pimentel tem destacado iniciativas do governo federal
FOTO: ALEX BRANDAO / O TEMPO
Fernando Pimentel tem destacado iniciativas do governo federal

Quem acompanha o dia a dia da campanha em Minas pode até se confundir e achar que Pimenta da Veiga (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) são, na verdade, candidatos à Presidência da República. Os dois têm adotado discursos idênticos aos de seus padrinhos políticos, Aécio Neves e Dilma Rousseff, com posições iguais às externadas nacionalmente pelos postulantes ao Palácio do Planalto. O perigo da “nacionalização” da campanha, na análise de especialistas, é deixar as propostas regionais de lado e tornar cada vez menos atraente para o eleitor a disputa estadual.  

As bandeiras defendidas por Aécio aparecem todos os dias nas falas de Pimenta. Um dos temas mais comentados pelo presidenciável tucano nos primeiros dias de campanha, o Mais Médicos, ganhou espaço em Minas. Enquanto o senador acusou o programa de ser “80% propaganda e 20% efetividade”, o candidato do PSDB no Estado afirmou que as prefeituras mineiras têm enfrentado problemas com a qualidade dos médicos do programa. A economia também é tema recorrente. Para Pimenta, a inflação “é um crime”, já para Aécio a situação “é preocupante”.

A relação estreita e a citação frequente da candidatura de Aécio por Pimenta precisou ser explicada. “Falo muito na candidatura do presidente Aécio porque acho muito importante para o Brasil nós vencermos as eleições”, justificou o ex-ministro no última dia 22.

Nos discursos de Fernando Pimentel, o nome Dilma pode até aparecer com menor frequência, em compensação a palavra “governo federal” está sempre presente em suas frases. Além de defender o programa Mais Médicos – criado na gestão da presidente Dilma –, o candidato petista também faz questão de traçar boas perspectivas para a economia brasileira.

Enquanto a candidata à reeleição garante que “o Brasil vai bem”, seu ex-ministro aponta que o cenário nacional é “muito mais favorável do que o mineiro”.

Nesta quarta, durante caminhada em Betim, na região metropolitana, Pimentel listou iniciativas do governo federal no Estado e contrapôs com o que os tucanos fizeram durante a administração. “O transporte depende de investimentos estruturais que agora estão sendo feitos graças ao governo federal”, discursou.

Para o cientista político da PUC-Minas Moisés Augusto, a nacionalização da campanha é prejudicial, já que, enquanto os candidatos deveriam percorrer as cidades para levantar problemas regionais, estão debatendo temas que não são de responsabilidade deles. “Os problemas do Estado estão em segundo plano. Essa estratégia afasta cada vez mais o eleitor”.

Pressão externa

Nacional. Para Moisés Augusto, a cópia dos discursos dos presidenciáveis e dos candidatos em Minas acontece “em função da pressão nacional”. “Para eles é bom. Mas quem perde é o Estado”.

Pimentel diz que adversário terá que rezar O candidato do PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel, fez nesta quarta uma provocação ao seu principal adversário, Pimenta da Veiga (PSDB). Durante caminhada em Betim, o petista afirmou que o grupo tucano “terá que rezar muito para que o povo tenha paciência” e acredite nas promessas feitas para melhorar a mobilidade urbana, como o Rodoanel. “Eles (os tucanos) tiveram 12 anos para resolver os problemas prioritários do Estado e não resolveram nenhum”, criticou.

Pimenta quer atrair mais empresas Em visita ao Centro-Oeste e ao Sul de Minas, Pimenta da Veiga prometeu atrair para o Estado indústrias de alta tecnologia. Em Piumhi, Pimenta explicou que quer agregar valor ao produto mineiro. “Piumhi é um exemplo porque é um dos maiores exportadores do Estado. Desejamos aproveitar esta vocação mineira com a terra e com o subsolo para processar esses produtos primários. Assim vamos gerar mais empregos e agregar valor.”

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