Hip Hop conquista Joinville

Gênero vive momento de boom no Festival de Joinville, entre apresentações de balé e dança contemporânea

iG Minas Gerais |

Cena. Grupo Andreia Mendes ficou em segundo lugar entre danças urbanas com ‘Linha de Frente’
Nilson Bastian/divulgação
Cena. Grupo Andreia Mendes ficou em segundo lugar entre danças urbanas com ‘Linha de Frente’

JOINVILLE, SC. Na quinta noite competitiva do Festival de Dança de Joinville, ocorrida na terça-feira (29), nem a chuva nem o engarrafamento de trânsito na hora do rush desanimaram a torcida mais empolgada do evento, o público das danças urbanas. 

A arena do Centreventos Cau Hansen, com cerca de 4.000 lugares, estava lotada como nos outros dias, mas os gritos e palmas ficaram mais altos. A popularidade do gênero é comparada – por bailarinos e jurados que acompanham o festival há algum tempo – com o boom do jazz na década de 1980.

Em apresentações de grupo, duos e solos, os bailarinos trouxeram ao palco um hip hop estilizado e com boas ideias de composição cênica – e, em alguns casos, investimento na dramaturgia.

A dobradinha da noite foi a dança contemporânea, com coreografias em grupo e solos selecionados para a competição. O melhor da contemporânea ficou evidente muito antes de o júri anunciar os vencedores da noite. A companhia gaúcha Mateus Brusa, do Rio Grande do Sul, conseguiu juntar conceitos com coreografias de impacto, que se comunicam com todos os tipos de público e não apenas os “iniciados” no gênero. O coreógrafo Mateus Brusa e seu grupo levaram todos os primeiros lugares da noite em contemporânea: conjunto sênior, solo masculino, solo feminino e duo júnior.

Nas danças urbanas, o primeiro lugar ficou para o grupo paranaense Street Extreme, na categoria conjunto júnior.

Gala. Na noite de segunda-feira (28), o Balé da Cidade de São Paulo se apresentou com três coreografias bastante diferentes entre si. “Cantata” e “BandOnéon” estrearam neste ano, em janeiro e maio, respectivamente, e “Uneven”, no ano passado.

A última, criação do catalão Cayetano Soto, abriu a noite em Joinville. “Uneven” é a obra mais abstrata das três e quase minimalista com seu figurino em preto e branco e cenário criado pelos holofotes. Em cena, os bailarinos criam imagens geométricas, com movimentos que vão ao limite do desequilíbrio dos corpos. Soto usa a técnica clássica para criar uma dança contemporânea.

“O público do festival tem grande interesse pelo clássico, e a discussão de como criar coisas novas a partir dessa técnica é um tema presente”, diz Iracity Cardoso, diretora do Balé da Cidade e uma das curadoras do festival.

A segunda coreografia da noite, “BandOnéon”, é a criação mais recente do coreógrafo argentino Luis Arrieta, feita especialmente para a companhia paulistana a partir do “Concerto para Bandonéon”, de Astor Piazzolla (1921-1992). Um bando de dez homens dança um tango que surpreende ao voltar às origens. “O tango começou com homens dançando nos bares, marginais dançando na rua, custou muito para entrar nos salões”, diz Iracity Cardoso. Foi a coreografia mais aplaudida.

A noite fechou com “Cantata”, do italiano Mauro Bigonzetti. A coreografia, montada originalmente pelo Ballet Gulbenkian, de Portugal, celebra a influência da imigração italiana e da cultura mediterrânea.

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