Wilson Avelar abre exposição com fotografias das “Diretas Já”

Fotógrafo revela seu olhar sobre um dos movimentos mais importantes na história recente brasileira

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Anônimos  em Belo Horizonte são os personagens principais
Crepaldi
Anônimos em Belo Horizonte são os personagens principais

Em um país com histórico de manifestações populares é comum se comparar períodos históricos e bandeiras. Um dos movimentos mais emblemáticos, responsável por antecipar a retomada da democracia no Brasil após longos e duros anos de ditadura militar, ganha a exposição “Diretas Já – 30 anos”, com fotografias de Wilson Avelar.

Ao todo são 46 fotos, que buscam remontar o contexto histórico das “Diretas” antes e depois das manifestações que atraíam dezenas de milhares de pessoas nas principais capitais do Brasil. “Tentei fazer o contexto do antes e do depois. São quatro fotos de greves que precederam os comícios, há também fotos das personalidades políticas da época: o general Golbery do Couto e Silva, Brizola, Gabeira e Tancredo”, revela Avelar.

As fotos se centram no comício que mais atraiu gente em Belo Horizonte. Estima-se que 300 mil pessoas estariam presentes na praça da Rodoviária, no dia 24 de fevereiro de 1984. “Tentei captar e dar preferência às pessoas que se movimentavam antes do começo do comício, de maneira espontânea. Elas faziam seus cartazes, com palavras de ordem, se pintavam. Não tem foto de palanque, das lideranças discursando. Os personagens são os anônimos”, ressalta o fotógrafo.

Como testemunha ocular da transição democrática do país no fim dos anos 1980, Avelar crê na evolução do exercício da democracia brasileira. “Acredito que haja uma evolução bem nítida. A democracia foi possível graças a esforços de algumas figuras públicas como Ulysses Guimarães. Nós estamos aprendendo a democracia, tanto que tivemos que tirar o primeiro presidente eleito depois do período de ditadura”, lembra ele, em referência ao impeachment de Fernando Collor de Mello, eleito em 1989.

Já as recentes manifestações que tomaram as ruas do país, principalmente em junho de 2013, não são vistas com tanto otimismo por ele. “Se você comparar com a manifestação das ‘Diretas Já’, era totalmente diferente. Era uma coisa cívica, civilizada e com um uma bandeira só. Era uma festa, sem quebradeira. Hoje, temos uma coisa que partiu de uma bandeira e virou várias, e muita gente se infiltrou. Virou essa baderna”, lamenta.

Agenda O quê. “Diretas Já – 30 Anos”

Quando. De hoje até 31 de agosto.

Onde. BDMG Cultural (rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes)

Quanto. Entrada franca

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