Empresários não definem voto

Após sete horas de sabatina na CNI, donos de indústrias evitam falar que candidato apoiarão

iG Minas Gerais |

Atentos. Plateia com cerca de 700 empresários reuniu presidentes de federações da indústria
Miguel Ângelo/CNI
Atentos. Plateia com cerca de 700 empresários reuniu presidentes de federações da indústria

Brasília. Empresários que participaram da sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com os três principais presidenciáveis – Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) – deixaram o evento, após sete horas, sem declarar publicamente em qual deles poderia votar em outubro.  

Para o conselheiro e ex-presidente do Grupo Ultrapar (dono de empresas como Ipiranga e Ultragaz), Pedro Wongtschowski, a campanha será uma longa disputa de pugilistas até o segundo turno do pleito, no final de outubro. “Acho que é um longo caminho, e cada candidato procurou tomar sua posição. Essa é uma luta de boxe de 12 rounds”, considerou.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, foi outro industrial que saiu da sabatina evitando declarar preferência por um dos três principais postulantes ao Palácio do Planalto. “Acredito que os três candidatos se apresentaram de forma positiva para o setor produtivo”, avaliou.

O setor automotivo vive um momento de crise, segundo Moan, atingindo “o fundo do poço” das vendas em junho. Apesar dos estoques altos, o presidente da Anfavea se disse confiante em um segundo semestre positivo para as vendas de automóveis, indicando queda nos estoques e uma previsão de PIB de 1,8% para o ano até dezembro. “Eu não vejo os indicadores com a visão pessimista que o mercado tem”, considerou.

Sistema tributário. O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu que o próximo presidente da República deveria adotar, como principal prioridade para o setor industrial, a adoção de um sistema tributário que não seja cumulativo. Questionado se o caminho seria adotar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), como defenderam na sabatina Aécio e Campos, Gerdau disse que não precisaria nem adotar o IVA. “É fazer todo o sistema tributário ser não cumulativo, e isso vale para a indústria, para o IPI, para o PIS/Cofins, para o ICMS e o imposto de serviços”.

O empresário disse que o cenário internacional exige desafios importantes ao setor, especialmente na competitividade. Segundo ele, o empresariado “se desdobra” para competir. Gerdau disse ainda que a presidente “colocou bem” a questão da competitividade, com dificuldades em impostos e na logística, como grande desafio para a área.

Principal

Impostos. Para Gerdau, embora não haja opinião comum do setor industrial sobre qual a demanda principal, o sistema tributário é o “maior fator” da falta de competitividade atual.

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