Santander confirma que negocia com Bonsucesso

Banco tem a estratégia de reforçar setor de crédito consignado

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Banco mineiro teve queda de 39,7% em sua carteira de crédito
DIVULGAção/BANCO BONSUCESSO
Banco mineiro teve queda de 39,7% em sua carteira de crédito

O Santander Brasil confirmou nesta quarta, em Fato Relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que “ está analisando alternativas para reforçar sua atuação no crédito consignado e, para tanto, está mantendo negociações com o Banco Bonsucesso”. No entanto, o banco espanhol disse ainda que, até o momento, nenhum documento vinculante foi firmado com o banco mineiro. O Bonsucesso, por meio da sua assessoria, informou que não iria se manifestar sobre o assunto. Na terça-feira, uma fonte disse à agência Reuters que o Santander Brasil estava em fase final de negociação para a compra do Bonsucesso. Com sede em Belo Horizonte e em operação desde 1992, o Bonsucesso é presidido pelo seu fundador Paulo Henrique Pentagna Guimarães. No primeiro trimestre deste ano, o banco mineiro apresentou um recuo anual de 39,7 % na sua carteira de crédito, que somou R$ 2 bilhões. No período, o banco se viu forçado a repassar para bancos maiores alguns financiamentos que considerava com potencial de gerar baixa rentabilidade. Ao mesmo tempo, os ativos totais do Bonsucesso caíram 19,1%, para R$ 2,77 bilhões. Desbancarização.Para o doutor em economia e professor do Ibmec-MG, Paulo Pacheco, o pior já aconteceu na década de 90 quando as matrizes dos bancos Real e Nacional saíram de Minas Gerais e foram transferidas para São Paulo. “Inclusive o Rio de Janeiro e outros bancos no Brasil foram desbancarizados em suas sedes. Nenhum banco grande está mais fora de São Paulo”, disse Pacheco. O professor vê a mesma situação acontecer nos EUA onde as sedes das grandes instituições, na sua maioria, estão em Nova York. Na desvantagem ficam as cidades das antigas sedes das instituições financeiras. “A cidade deixa de gerar alguns empregos, vai transferir outros bons empregos para São Paulo, e deixar de arrecadar impostos”, explicou Pacheco. Para ele, qualquer empresa que decide se mudar provoca perda de arrecadação e massa salarial na cidade. “O setor bancário é responsável por uma parcela substancial do PIB”, afirmou o especialista. Por outro lado, Pacheco disse que é mais eficiente estar em São Paulo. “Faz sentido porque tem-se um ganho dessas instituições estarem no mesmo local”.

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