Números endossam ascensão, apogeu e queda do 'meteoro alvinegro'

Trajetória de Ronaldinho no Atlético atingiu o ápice e quando começou a cair, clube e jogador decidiram colocar um ponto final

iG Minas Gerais | RÔMULO ABREU |

DIVULGAÇÃO/ATLÉTICO
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A passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético foi, sem sombra de dúvidas, vencedora, inesquecível e fez jus ao nome do filme lançado pelo jogador no ano passado: “R49, o meteoro atleticano”. Isso, porque, ao olhar para trás, agora que acabou, dá a sensação de que a história do craque no Galo foi mesmo meteórica. Os números dele com a camisa preto e branca dão base para esta visão.

O jogador chegou ao Atlético no início de junho de 2012, estreando contra o Palmeiras, na quarta rodada do Brasileirão. Saindo de forma muito conturbada do Flamengo, desacreditado no futebol, Ronaldinho queria mostrar que estava vivo e assim o fez com propriedade no Galo. Ele disputou 32 dos 35* jogos do time mineiro naquela metade de temporada e quase deu o título nacional à Massa. Com grandes partidas e nove gols marcados, o Gaúcho participou de 91,42% dos compromissos da equipe e viveu a ascensão nesta primeira etapa de sua passagem no Alvinegro.

De contrato renovado, R10 teria, em 2013, uma temporada inteira para atingir o apogeu com a camisa alvinegra, e teve êxito logo no primeiro semestre. O Galo disputou 32 jogos naquele período e Ronaldinho participou de 19*, balançando as redes dez vezes, quatro pelo Mineiro - um na final -, quatro pela Libertadores (que tinha ido até as quartas de finais) e duas pelo Brasileiro, que estava em sua quinta rodada.

Depois do vice nacional, o craque deu o título mineiro ao Galo e o colocou na semifinal da Libertadores como favorito disparado ao título, causando temor e espanto em toda a América. É bem verdade que Ronaldinho era usado apenas em jogos que realmente valiam para o Atlético, assim, ele quase não disputou o Estadual. Restou fôlego para a última arrancada no início do segundo semestre de 2013, justamente a hora da verdade na Libertadores. À essa altura, ele vivia seu apogeu com o manto alvinegro.

Ronaldinho seguiu sendo fundamental para o time, embora não tenha sido o protagonista atleticano nos últimos jogos da Libertadores, já que jogadores como Réver, Leonardo Silva, Bernard e principalmente Victor, assumiram esse papel. O Galo e o craque foram coroados com o título mais importante da história do clube, o que deu ao camisa 10 o status de maior ídolo do Atlético em todos os tempos, pelo menos para alguns. A conquista continental, entretanto, parece que gerou no elenco atleticano uma 'ressaca' e em Gaúcho, a sensação de dever cumprido, tanto que ao fim do torneio sul-americano, ele se tornou cada vez mais ausente nos jogos e deixou de ter atuações arrebatadoras como outrora.

Na segunda metade do ano, ele fez 19* jogos, contando as semifinais e finais da Libertadores e os dois jogos do Mundial. Pelo Brasileirão, foram 11 jogos com R10 em campo, dos 33 disputados pela equipe. O jogador ficou cerca de dois meses tratando uma lesão na coxa esquerda que atrapalhou sua sequência e chegou a ameaçar sua ida ao Mundial no Marrocos. Mas, ele se recuperou, foi para o torneio, porém sem o mesmo poder de decisão, e o Atlético fez feio, sendo eliminado pelo Raja Casablanca logo na estreia.

Em 2014, Ronaldinho já tinha devolvido ao Atlético o respeito no cenário mundial do futebol e passou a ser a principal esperança para novas ambições. A Massa queria o bi da Libertadores e contava com mais atuações impecáveis do maestro para que o sonho se tornasse real. Porém, R10 não conseguiu repetir sequer a sequência de seu primeiro ano no Galo, estando mais fora do que dentro de campo – dos 39 jogos, o time pôde contar com o meia em 18*, menos da metade. E quando contou com ele, não teve o futebol envolvente e decisivo que todos estavam acostumados. Ronaldinho se tornou coadjuvante no Atlético, às vezes, figurante. Foram apenas dois gols, um de pênalti, contra o Nacional-PAR, pela fase de grupos da Libertadores – depois de errar uma penalidade na mesma partida -, e outro em amistoso na China, diante do Guizhou Renhe, durante a intertemporada na parada para a Copa do Mundo.

No geral, Ronaldinho esteve em 60,68% dos jogos que o Atlético disputou nestes dois anos de 'casamento' (jogou 88 dos 145* confrontos que o time encarou). A média de gols foi de 0,31 por jogo, 28 no total. Ele ainda colecionou inúmeras assistências, embalou a torcida nas arquibancadas, a fez chorar - nunca de tristeza -, gerou vendas progressivas de camisas do Galo, inclusive para estrangeiros que invadiram o Brasil durante a Copa, e, claro, três títulos: Mineiro 2013, Libertadores 2013 e Recopa 2014.

A queda técnica de R10 dava indícios de que seu ciclo estava chegando ao fim. Entre os torcedores, a opinião de que era melhor que ele encerrasse sua trajetória no Galo, enquanto a Massa tinha na memória apenas lembranças positivas dele no clube, se não era unânime, ao menos vinha sendo endossada por cada vez mais aficionados. Tanto que, no último dia 28 de julho, quando o Atlético anunciou a rescisão do contrato com o jogador, ninguém lamentou, apenas agradeceu pelo meteoro ter passado no Alvinegro, uma estrela cadente, que trouxe junto a realização dos maiores desejos dos atleticanos.

*Números do administrador esportivo Alexandre Siqueira

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