A culpa é do infinito

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Sou o tipo de cara que gosta de ler o livro e só depois ver no cinema a adaptação que foi feita dele. E é uma série de motivos que me levam a essa ordem: a riqueza de detalhes encontrada na leitura, as características dos personagens e lugares, a imaginação que flui como um pássaro que voa e desbrava novos ambientes, em busca da melhor transfiguração a que a sua mente pode chegar por meio de uma simples narrativa, puros minutos relaxantes entre você e as palavras. Assim, ver o filme após ler o livro é um dos momentos mais prazerosos, únicos, mentais e individuais. Aprendi isso com a saga de Harry Potter, pousei em outras obras menos importantes, mas que também me fizeram viajar nas histórias e, agora, consegui realizar esse desejo de novo com “A Culpa É das Estrelas”, do renomado autor John Green.

Comprei o livro pela internet, quando o filme já estava em cartaz, e preferi não ver nada a respeito dele, tudo para não influenciar as minhas ideias particulares. Pensei até que não daria tempo de vê-lo no cinema, porque não devoro livros tão rápido como muitos. Mas, por causa do sucesso do filme – retrato do bem-sucedido best-seller –, consegui assistir no cinema, e parece que ele não sairá tão cedo de cartaz, tamanho o número de salas em exibição.

E foi lindo... e clichê também! O que você já deve ter ouvido falar sobre ele, de que as pessoas se debulham em lágrimas ao assistir ao filme, não é nenhuma novidade, né? E comigo não foi diferente - já que chorei pela primeira vez lendo um livro, imagine vendo o danado do filme? Tirando o foco do jornalista chorão confesso, a história é emocionante porque narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um grupo de apoio para crianças com câncer: Hazel Grace (Shailene Woodley), a narradora, uma jovem de 17 anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que ajuda seus pulmões cancerígenos, e Augustus Waters (Ansel Elgort), de 18, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para a doença. Hazel preocupa-se com a dor que poderá causar às pessoas que ama, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Mas, com um ótimo senso de humor, eles passam o livro (e o filme, claro!) brincando com os clichês do mundo do câncer – a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Resumindo: é uma linda história de amor, e de dois jovens doentes terminais. E é isso que deixa a gente ainda mais sensível, essa miscelânea de melancolia e doçura, diversão e filosofia, autoajuda e romance.

E, realmente, o romance está cheio de lições. Em certo momento, Hazel divaga: “Existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1, o 0,12, o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Às vezes, fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter”. Ela teve poucos. Você pode ter mais. Não faça da sua vida um conjunto ilimitado de números. É por meio de um infindável diário que buscamos a eternidade numerada necessária para a felicidade plena. Vá em frente, seja feliz. Às vezes, você pode até não perceber, mas as mais puras alegrias estão em pequenos infinitos.

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