Ação coordenada pela Defesa Civil combate o tráfico de pessoas em MG

Durante campanha, o obelisco da Praça Sete receberá iluminação especial; combate ao trabalho escravo, adoção ilegal e exploração sexual são alvo do enfrentamento

iG Minas Gerais | ENNIO RODRIGUES |

A Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, estará iluminada de azul nesta quarta-feira (30). A ação faz parte da campanha Coração Azul, instituída pela ONU e coordenada em Minas Gerais pela Secretaria de Defesa Social. A campanha é uma das iniciativas do Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas que articula organizações municipais, estaduais, federais, polícia civil, policia militar e outros grupos sociais no combate ativo às práticas relacionadas ao tráfico de pessoas.

Desde o início das atividades do programa, em 2011, já foram detectados 44 casos, envolvendo 415 vítimas em situação de tráfico de pessoas ou correlatas. Anualmente, os casos registrados têm aumentado. “O programa vem capacitando servidores e ampliando a divulgação das ações pelo estado. Portanto, é natural e, em alguma medida, positivo que o número de casos detectados esteja aumentando. O enfrentamento precisa avançar”, explica a coordenadora do programa, Flavia Gotelip.

Mais perto do que se pensa De acordo com Gotelip, cerca de 70% dos casos acompanhados pelo programa estão relacionados ao trabalho escravo. E, desses, a maioria é de trabalhadores na construção civil. “Trabalho escravo não acontece apenas nas lavouras do interior do estado. Nelas também, mas há várias denúncias apuradas em grandes centros urbanos”, afirma a coordenadora. De acordo com ela, empresas aliciam pessoas para trabalhar em condições subumanas e isso é caracterizado pelo programa como trabalho escravo. Além da construção civil e das lavouras, alguns casos estão sendo apurados na mineração. O tráfico de pessoas também é caracterizado, por exemplo, em situações de adoção ilegal, exploração sexual e até de venda de crianças.

Não é apenas a Praça Sete que vai se pintar de azul durante a campanha. Outros monumentos nacionais como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e a estufa do Jardim Botânico, em Curitiba, também se juntaram ao ato.

Em Minas, além da ação visual, na quinta-feira (31) haverá um Cine Club comentado no Instituto Metodista Izabela Hendrix e na sexta-feira (31) uma reunião do Comitê Interinstitucional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas para balanço das atividades desde abril de 2013.

“O foco principal dessas ações é engajar as pessoas. Chamar a atenção para que mais casos sejam denunciados e investigados”, convida Gotelip. O disque-denuncia unificado permite à população de Minas Gerais fazer denúncias à Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros. O número é 181, a identidade do denunciante é preservada e a ligação é gratuita.