Após campanha confirmar, Aécio se recusa a esclarecer uso de aeroporto

Candidato do PSDB afirmou também que o superavit primário de seu governo, caso seja eleito, será o "possível"

iG Minas Gerais | Da Redação |

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, se recusou novamente a responder nesta quarta-feira (30) se realizou pousos e decolagens no aeroporto de Cláudio (MG), construído em sua gestão como governador de Minas em um terreno de seu tio-avô. Em entrevista após participar de debate com empresários na CNI (Confederação Nacional da Indústria), Aécio não quis comentar documento elaborado pela sua campanha que admitiria o uso do aeroporto pelo tucano. "Todos os investimentos do meu governo que levaram a ligação de cidades que não tinham asfalto e aproximação do setor aeroviário foram feitos dentro da lei, com absoluto planejamento. (...) Estou aberto a discutir a economia brasileira em fórum tão qualificado como esse", desconversou. Reportagem do jornal "Estado de S. Paulo", publicada nesta quarta (30), afirma que a campanha de Aécio elaborou documento comprovando o uso do aeroporto pelo tucano, apesar dele não ter sido homologado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O documento, segundo a reportagem, cita uma norma da Anac que permitiria a "operação ocasional" de helicópteros em aeroportos não homologados. O documento teria sido produzido a pedido do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice na chapa de Aécio. Desde que a Folha de S.Paulo revelou o caso, no dia 20, o tucano se recusa a responder se já utilizou ou não a pista. Nesta terça (29), ao ser questionado se o fato de não responder aos questionamentos pode ser prejudicial para a campanha, ele disse: "Isso é irrelevante. Vou responder sempre que achar adequado". A construção do aeroporto ocorreu quando Aécio estava em seu segundo mandato como governador de Minas, num terreno do tio-avô de Aécio, Múcio Tolentino -desapropriado pelo Estado. Minas gastou quase R$ 14 milhões na obra.   SUPERAVIT Aécio Neves (PSDB) afirmou também que o superavit primário de seu governo, caso seja eleito, será o "possível". "O superavit deve sempre existir, feito de forma absolutamente transparente, diferente daquilo que ocorre hoje, mas ele será o possível", disse. Segundo o senador, o superavit a ser alcançado em seu governo passará pela meta de elevar a taxa de investimento do governo para cerca de 24% do PIB (Produto Interno Bruto) -hoje, o país investe cerca de 18%. O superavit primário é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida pública. Em 2014, a meta é economizar R$ 99 bilhões. Aécio criticou o uso de receitas extraordinárias pelo governo Dilma Rousseff para atingir a meta de superavit primário, prática que classificou como "alquimia contábil". "O superavit de 1,9% do PIB alcançado no ano passado foi constituído em sua metade por receitas não recorrentes, com [os recursos do leilão de] Libra, cerca de R$ 15 bilhões, e do [programa de parcelamento] Refis, cerca de R$ 20 bilhões", afirmou. Segundo o candidato, o ano que vem será de dificuldades para a economia do país. "O ano de 2015 já está precificado pela desarticulação do setor elétrico, pela situação da Petrobras, que precisará ter seu papel na economia brasileira redefinido", disse.