A derrota de Dilma depende mais dela do que da oposição

iG Minas Gerais |

DUKE
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Apesar de toda a onda de setores da sociedade brasileira que torcem abertamente para o fracasso do projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), tal fracasso depende mais dela própria do que da oposição. Pois mesmo com os sinais de “fadiga de material” no Planalto e com a barragem de más notícias para o governo, Dilma nunca perdeu sua liderança na corrida eleitoral. Para o presidenciável Aécio Neves (PSDB), o pior é que, na preferência dos eleitores, ele anda abaixo do índice dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra nas eleições presidenciais anteriores. Assim, a oposição, em que pese estar nessa situação desde 2002, depende mais dos erros do governo do que de seus acertos para voltar ao poder. Assim, caso a oposição vença as eleições, vai ser por “default”, e não pela construção de uma lógica que convença o eleitorado de que é hora de mudar. Como oposição, esta que está aí não aprendeu o suficiente para construir um discurso consistente. Sua lógica é a de que “não é possível” continuar com esse estado de coisas, o que, nas atuais circunstâncias, ainda faz pouco sentido para a imensa maioria do eleitorado. O candidato Eduardo Campos (PSB), embora conte com a torcida de muitos desengajados na polarização PT x PSDB, carece de estrutura e terá de surpreender para chegar ao segundo turno. Não é impossível. Mas é difícil. Aécio continua sendo o favorito para estar no segundo turno, e com amplas chances de fazer uma boa campanha se – notem bem – Dilma for muito mal na condução da economia. Ou se algum fato novo acontecer. Quão mal a economia tem de estar para comprometer as chances de Dilma? Muito pior do que está. A inflação tem que subir mais, e a sensação de recessão tem que ficar instalada definitivamente no imaginário do cidadão comum. A mídia eletrônica terá de saturar a conjuntura de más notícias a ponto de criar uma sensação térmica de desencanto. Será que acontece? Em que pese o crescente pessimismo dos agentes econômicos e dos consumidores e mesmo que as coisas no campo econômico não andem bem, estamos ainda longe do caos e da desesperança. Com pouco mais de dois meses de campanha, o tempo está curto para grandes mudanças. E o Brasil, como se esperava no pós-Copa, mergulhou nas férias de meio de ano e só volta a pensar em eleições em meados de agosto. Brasília está entregue às moscas, e a política nacional anda em ritmo de marcha-rancho, ofuscada por acertos e conchavos paroquiais. Os cenários que se apresentam indicam uma eleição complexa e difícil. Mas que começa com Dilma na liderança, tendo em suas mãos as chances de vitória. Ainda assim, é o cenário mais complexo desde 1994. No início do ano passado, Dilma era, como todos sabem, amplamente favorita. No entanto, como alertamos em artigos na época, seu favoritismo corria riscos. De lá para cá, uma eleição que seria relativamente fácil para ela transformou-se em um imbróglio de complexa solução. O mercado financeiro e setores do empresariado trabalham com esperanças e expectativas de mudança. Acreditam que a vitória de Aécio Neves traria um momento mágico de valorização dos ativos no Brasil e a certeza de que a gestão econômica seria mais firme. Esse momento mágico interessa, pois eleva os preços, atrai negócios e recoloca o país no patamar de queridinho do mercado. A onda do mercado em torno das eleições embute muito mais uma torcida do que uma avaliação pragmática. É certo que as eleições vão ser difíceis para Dilma. Mas é bom lembrar que Aécio anda abaixo do que andaram, na mesma época, Serra e Alckmin. O que vai definir o resultado, como dito, é o andamento da economia e a ocorrência de algum fato novo.

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