Partidos políticos apenas reproduzem a exclusão racial

Legendas até criam alas específicas, mas não investem no setor

iG Minas Gerais | RAQUEL AYRES |

Representação negra no parlamento brasileiro é de apenas 8,5%%
Laycer Tomaz/Câmara dos Deputad
Representação negra no parlamento brasileiro é de apenas 8,5%%

O último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 50,7% dos brasileiros são negros ou pardos. No entanto, no Congresso Nacional, apenas 8,5% das cadeiras são ocupadas por essa parcela da população. Na opinião de especialistas, essa razão inversamente proporcional evidencia a falta de interesse dos partidos políticos em promover candidaturas dos negros.  

“Existe um fosso que separa brancos e negros no que se refere à representação parlamentar. Somos 43 deputados federais e três senadores diante de um universo de 513 parlamentares brancos e 81 senadores também brancos”, afirma o presidente da ONG União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Segundo ele, diferentemente dos evangélicos e ruralistas, a bancada negra, por ser pouco numerosa, encontra obstáculos para aprovar leis que favoreçam a raça. A Lei das Cotas, que levou mais de dez anos para ser aprovada, e o Estatuto da Igualdade Racial são exemplos.

As três maiores legendas do país – PT, PMDB, PSDB – têm seus núcleos negros, mas esses grupos enfrentam a mesma situação que as alas femininas: faltam recursos para dar visibilidade aos candidatos. Na prática, as siglas não investem nos negros.

Em Minas, a maior parte de candidatos que se declararam pretos ou pardos pertence ao PT. São 13 concorrentes a deputado federal. A ala negra do partido, formada por 11 membros, reúne-se uma vez por mês para debater questões relativas às políticas de promoção racial e inclusão socioeconômica.

Mas verbas destinadas especialmente para financiar campanhas e programas afeitos a questões raciais não fazem parte dos custos do PT. “Se há algum evento, o partido arca com as despesas. Mas não temos, por exemplo, acesso ao fundo partidário. Nem mesmo uma quantia como a de 5%, que é destinada à mulher”, avalia a secretária de Combate ao Racismo do PT em Minas, Cleide Hilda de Lima Souza.

O cientista político Manoel Leonardo Santos explica que, espontaneamente, o crescimento da representação negra não tem como ocorrer. “É preciso pensar mecanismos que promovam essa representatividade, pois o sistema político reproduz a exclusão que acontece na sociedade”, explica.

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