Um sopro de alegria

iG Minas Gerais |

acir galvao
undefined
Antes o Facebook me parecia um imenso cortiço, em que se podia ter acesso à intimidade das pessoas, em maior ou menor grau, dependendo do quanto elas estavam dispostas a se expor.  Por meio daquelas janelas, era possível ver o que elas comiam, com que roupas foram ao casamento da amiga, onde passaram o fim de semana, se estavam de TPM, se tinham brigado com o gerente do banco, se estavam gostando ou não da novela, se sofriam por causa de um amor perdido ou davam indiretas para algum desafeto. Era divertido. Era juvenil. Agora, se assemelha mais a um grande hospício, em que se pode assistir ao enlouquecimento público das pessoas, em maior ou menor grau, dependendo do quanto elas se dão conta da própria insanidade.  Por meio daqueles quartinhos, é possível suspeitar do nível de sua carência, do grau de seu estresse, da quantidade de sua intolerância, das toneladas de sua homofobia, da intensidade de seu racismo, da proporção de sua xenofobia... Neuroses e psicopatias de todas as ordens. Sempre prontas a se manifestar. Basta apenas uma oportunidade. Pode ser uma frase, uma partida de futebol, um posicionamento ideológico, uma simples opinião. Bum!!!! E lá se vai uma “amizade”. Bum!!!! Melhor ocultar esse morto vivo.  Nada divertido. Tudo muito assustador. Por isso, no meio de tanta exposição e loucura, os “malucos beleza” e sua imensa disposição para o escracho são um sopro de alegria. No meio de tantas certezas, no meio da velha opinião formada sobre tudo, um frescor. Viva os tumblrs, os memes, as frases, as charges, as piadas, que deixam a vida naquelas paragens mais leve. Vivas as mentes criativas que não se levam a sério, que não gastam um minuto do seu tempo para algo que não merece tanta seriedade. Quem insiste em continuar sofrendo pela goleada histórica após ler um post espirituoso? (“Nem a Volkswagen faz tantos gols em tão pouco tempo”). Como não se divertir com musiquinhas, jogos, memes e tumblrs que ironizam políticos pouco afeitos a esse tipo de abordagem? Não é possível blindar o Facebook.  Essas postagens são mais políticas dos que fazem campanha para este ou aquele candidato, daqueles que empunham essa ou aquela bandeira, que defendem esta ou aquela causa. Só os bem-humorados serão salvos... Pelo menos na minha timeline.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave