Relançamentos são enriquecidos com convidados

iG Minas Gerais | Júlio Assis |

O escritor Millôr Fernandes em seu estúdio em Ipanema, em 2003
Edu Simões/ Cadernos de Literatura Brasileira/ Instituto Moreira Salles
O escritor Millôr Fernandes em seu estúdio em Ipanema, em 2003

As homenagens póstumas a Millôr Fernandes na Festa Literária Internacional de Paraty, que será aberta hoje, começarão na conferência inaugural, às 19h, quando o crítico Agnaldo Farias vai falar sobre o valor da obra de Millôr para a arte brasileira. Em seguida, os humoristas Reinaldo e Hubert, do “Casseta & Planeta” – que nos anos 1980 editaram uma cria de “O Pasquim”, o “Planeta Diário” – conversam com o cartunista Jaguar, co-fundador, com Millôr e outros, de “O Pasquim”.

Durante o encontro literário que segue até domingo, vai circular o jornal diário “Daily Millôr”, com textos e ilustrações ao estilo do homenageado, que se dizia um “escritor sem estilo”.

Na casa do Instituto Moreira Salles (IMS) na Flip, além do lançamento do livro “100+100: Desenhos e Frases”, haverá uma série de conversas com autores convidados da Flip promovida pela Rádio Batuta, do IMS, dentre eles o jornalista e escritor Sérgio Augusto, que trabalhou com Millôr no jornal “O Pasquim”.

Ele lembra do convívio com o escritor. “O Millôr era engraçado pessoalmente, gatilho rápido, mas não de contar piadas nem de fazer graçolas, de se exibir como o mais engraçado do salão, pois não precisava de se autoafirmar desse jeito. Excedia mesmo era escrevendo, medindo as palavras, burilando a frase até a perfeição.”

Com esse preceito construiu seu arsenal de frases, e Augusto conta como selecionou cem delas. “O processo foi mais simples possível, graças à ‘Bíblia do Caos’ (livro lançado pela editora L&PM). Se esse compêndio das frases, aforismos, apotegmas, axiomas etc do Millôr não tivesse sido publicado, aí sim, teria sido complicado. Vali-me, portanto, da ‘Bíblia’, e também, bem menos, de outras coisas dele que recortara de jornais e revistas”.

Sérgio Augusto acrescenta que “o critério de escolha foi puramente subjetivo: separei as frases de que mais gosto, ultrapassei o limite combinado, claro, e fui cortando. Eliminei algumas variações, mas sem muito rigor. Incluí ‘Fobia é um medo com PhD’, sem tirar, por exemplo, ‘O haddock é um bacalhau que subiu na vida’. Há outras variações nessa linha.”

A seleção foi feita para o projeto ‘Cadernos de Literatura Brasileira’, lançado em 2003 pelo IMS. “Pior seria se Millôr não tivesse produzido tantas tiradas geniais. Para o livro que está saindo agora, também editado pelo IMS, apenas escrevi uma introdução. O mérito maior da obra, a meu ver, é do Cássio Loredano, que selecionou os desenhos do Millôr e os casou com cada uma das frases. Achei o trabalho do Loredano um primor, a melhor coisa do livro depois dos desenhos e das frases do Millôr”, diz Augusto.

Renovação. Em relação aos lançamentos da Companhia das Letras, a editora Vanessa Ferrari ressalta o trabalho que foi feito para não apenas reeditar as antigas publicações. “Buscamos enriquecer os volumes com textos de apresentação de convidados como Luis Fernando Verissimo, Ziraldo, Jô Soares e Antonio Prata. No livro ‘Esta É a Verdadeira História do Paraíso’, trouxemos alguns dos principais quadrinistas da atualidade que deram a sua versão sobre a origem do mundo. Reproduzimos ainda a edição fac-símile que saiu na revista ‘O Cruzeiro’, em 1963, antes de se tornar livro, em 1972, material que só fomos encontrar em sebo”, revela.

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