Polícia pede para manter alça

Instituto de Criminalística solicita que prefeitura aguarde a conclusão do laudo antes da demolição

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Parte do viaduto que está de pé pode ser importante para saber o que o correu com outra alça
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Parte do viaduto que está de pé pode ser importante para saber o que o correu com outra alça

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil solicitou à Prefeitura de Belo Horizonte que suspendesse o processo para a demolição da alça que restou do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, na região de Venda Nova. Isso porque a perícia pode ter que examinar a estrutura, já que ela é semelhante à que caiu. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura informou que, atualmente, está realizando estudos para avaliar todas as possibilidades envolvendo a alça que ficou de pé, enquanto aguarda o laudo oficial da polícia. “Pedimos para suspender a demolição por enquanto para que possamos examinar essa alça também porque ela é réplica da outra”, explicou o diretor do IC, Marco Paiva. Na última quinta-feira, a prefeitura solicitou à Cowan, responsável pela obra, o projeto de demolição em caráter de urgência, perante o promotor do Ministério Público de Minas Gerais Eduardo Nepomuceno. Nesta terça o município informou em nota que vai avaliar e decidir que medidas serão tomadas após receber o documento da construtora. A Cowan, que concordou em pagar a demolição e as despesas com hospedagem dos moradores vizinhos ao viaduto, disse, por meio da assessoria de imprensa, que sugeriu nesta terça o nome de uma empresa para demolir a alça, já que a construtora não realiza trabalhos de implosão, apenas destruição manual. A prefeitura não confirmou se recebeu o contato e se já contatou essa empresa para solicitar o projeto. Conforme a nota da prefeitura, os moradores estão sendo transferidos por medidas de segurança. Vinte famílias já estão em um hotel. Porém, para especialistas ouvidos pela reportagem, o fato de a alça estar escorada evitaria uma queda. Apesar da própria Cowan, que fez o projeto de escoramento, não garantir essa proteção, empresas especializadas no trabalho afirmam que é possível manter a estrutura totalmente segura. O viaduto está sendo monitorado diariamente e, até hoje, não apresentou movimentação. Entenda. A perícia apura as causas do acidente ocorrido no último dia 3 de julho, quando a alça que desabou matou duas pessoas e deixou 23 feridas. Um dos focos da investigação está na área de um dos pilares de sustentação da estrutura. Porém, a alça que ficou de pé foi construída da mesma forma que a que caiu. Por isso, ela poderia ser usada para obter alguma prova de falhas construtivas. Na semana passada, a Cowan alegou que a causa do desabamento seria um erro de cálculo do projeto, mas a análise da perícia já mostrou que a construtora apresentou cálculos diferentes das estruturas usadas na obra.

Sem respostas Silêncio. A prefeitura e a Cowan não responderam a perguntas sobre o escoramento das alças. A Consol, que fez o projeto executivo, evita falar sobre o documento e alega apenas que não houve erro. 

Escavação em volta do pilar pode começar A escavação em torno do pilar que afundou, derrubando a alça do viaduto, deve começar a nesta quinta. O restante do tabuleiro que ficou em cima da peça está sendo demolido, e os trabalhos devem ser concluídos para que a perícia possa continuar a investigação. A previsão é que o laudo oficial da Polícia Civil que vai apontar as causas do acidente seja finalizado até o fim de agosto. O prazo que o Instituto de Criminalística deu para concluir a investigação é de 30 dias após a escavação. Eles pretendem abrir 1,5 m em volta do pilar e 3 m de profundidade para verificar a construção.

Saiba mais Balanço. Os moradores do bloco 3 do condomínio Savana e dos blocos 8 e 9 do condomínio Antares foram transferidos para um hotel. Esses três blocos somam 42 apartamentos, sendo que 20 famílias já saíram, 14 se recusaram e foram notificadas pela Defesa Civil quanto ao risco, e oito apartamentos já estavam vazios antes do acidente. Mudança. Caso alguma família (das 14) decida ir para o hotel, é necessário contatar a Defesa Civil para que seja providenciada a mudança. Endereço. As famílias foram transferidas para o Hotel Soft Inn, no bairro São Cristóvão, na região Noroeste da capital.

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