Presidente do sindicato dispara contra mudança de horários dos metrôs

Para Altino Prazeres, decisão não considera a população e somente favorece a TV Globo

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Trens estão saindo lotados.
Aline Gonçalves/Webrepórter
Trens estão saindo lotados.

Os jogos das 22 horas no Itaquerão terão metrô funcionando até à 0h30 e trens da CPTM até à 0h50. A ampliação dos horários de funcionamento foi definida em reunião no início da tarde desta terça-feira entre o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, e representantes do Governo de São Paulo, os secretários Jurandir Fernandes, dos Transportes, e Júlio Semeghini, do Planejamento.

O que teria impulsionado esta medida foram os problemas que ocorreram no jogo da semana passada, no estádio do Corinthians, porém, o presidente dos sindicatos dos metroviários, Altino Prazeres, a decisão não se importou em atender os torcedores, e sim ser favorecer à TV Globo, detentora dos direitos de transmissão e que define os horários das partidas.

"É uma decisão que não pensa nos torcedores. Além de torcedores, eles são trabalhadores. Mesmo com o metrô aberto, eles demoram para chegar em suas casas e ainda têm de ir ao trabalho no dia seguinte. Por que não se muda o horário do jogo? É uma decisão que só atende à TV Globo. A cartolagem parece que prefere desse jeito também. Não quer bater de frente", disse em entrevista à ESPN.

Apesar de ser crítico à decisão, Prazeres frisou que concorda com a ideia de que o metrô atenda o público por 24h diárias, entretanto, lhe falta estrutura para oferecer um serviço de qualidade à população. O que o incomoda, é a motivação que levou a definir os novos horários de funcionamento.

"O que posso te dizer é que diante da situação é claro que preferimos que o metrô fique aberto até mais tarde, mas é um absurdo que isso tenha de ser assim por conta de uma televisão. Com o número de pessoas que trabalham à noite, não vamos poder dar o melhor serviço para as pessoas que vão pegar o transporte no fim da noite. Ou a empresa contrata mais gente ou vai ser difícil para todo mundo", esclarece.

"Nós já fomos procurados por parlamentares e temos esse posicionamento. Nosso posicionamento é também de atender bem a população, da melhor forma possível. Hoje seria impossível um transporte 24 horas. Não comporta porque é mal administrado e porque tem poucos funcionários. Mas é uma coisa que defendemos", acrescenta.

O sindicalista reiterou que, em sua avaliação, o tema não reflete a preocupação com o transporte público, ressaltando que, mesmo com o metrô disponível, o tardio horário dos jogos coloca os torcedores em risco nas ruas de São Paulo, pontuando que seria muito mais simples e fácil mudar os horários das partidas.

"O que me deixa inconformado é que tem uma decisão muito mais fácil nesse caso, que é a de mudar o horário do jogo. Não é só uma questão do transporte público. O cara que vai de carro para lá tem de voltar para a casa de madrugada, se arriscando, por causa de uma TV. O outro fica procurando um ônibus que não passa mais, por causa da cartolagem que só pensa nela. É um absurdo, na minha opinião", disparou.

*Com Agência Estado

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