Para Aécio, Dilma 'perdeu capacidade de inspirar credibilidade'

"Não adianta transformar análise técnica em política, como ela tentou fazer. O governo fracassou", disse o candidato tucano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Aécio se reúne com coordenadores e partidários, no dia 29 de julho
Aécio se reúne com coordenadores e partidários, no dia 29 de julho

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, acusou nesta terça-feira (29) a presidente Dilma Rousseff de tentar politizar a crise econômica do país. Aécio disse que Dilma, ao afirmar que a crise é fruto de "especulações" da disputa eleitoral, comprova que o governo "perdeu a capacidade de inspirar credibilidade" no campo econômico.

"Não adianta transformar análise técnica em política, como ela tentou fazer. O governo fracassou. Essa avaliação negativa [da economia] está nos bancos, agências de risco, Fundo Monetário Internacional. Eu não sou o porta-voz dessas avaliações, elas são reais", disse Aécio.

Na sabatina realizada nesta segunda-feira (28) pela Folha, Portal UOL, SBT e Rádio Jovem Pan com a candidata, Dilma disse que o clima de "pessimismo inadmissível" antes da Copa também se estendeu à economia, em um "jogo de especulação contra o país".

Também classificou de "lamentável" o comunicado do banco Santander aos seus clientes mais ricos de que a sua reeleição poderia ter efeitos negativos sobre a economia.

Aécio disse que o governo não contestou a avaliação do banco - apenas agiu para que os responsáveis fossem demitidos.

"O governo deveria estar muito mais preocupado em reagir positivamente de que punir um funcionário. O terrorismo foi o governo quem instalou no país. Ao invés de estimular a economia, pedem a punição."

Aécio ironizou membros do PT que acusaram o PSDB de estimular o comunicado do banco ao afirmar que a oposição não está "infiltrada" no Santander. "Se eles forem demitir todos que fazem avaliações negativas do governo, vão ter que demitir muita gente."

Para o tucano, a "resposta" do governo para o episódio deveria ser apresentar sua agenda para a economia do país. "Eu sempre disse que esse é um governo que está à beira de um ataque de nervos. Hoje eu digo que o governo já está vivendo um ataque de nervos", afirmou.

Aécio disse que a população rejeita o governo do PT pelo "conjunto da obra" e Dilma fará uma "campanha sitiada", presa ao Palácio do Planalto, contando apenas com o programa eleitoral no rádio e na TV. "Isso passa a impressão de um certo distanciamento das ruas", afirmou.

AEROPORTO

O tucano não quis responder se utilizou o aeroporto construído em Cláudio (MG), em terreno de seu tio desapropriado pelo governo do Estado. Aécio disse ser "irrelevante" a informação sobre pousos e decolagens que poderia ter feito no aeroporto.

"Foi feita uma acusação leviana de uma obra pública em um local privado. São milhares de licitações e me acusam de beneficiar um parente. Isso é do jogo político, não vou ficar estendendo essa pauta."

Aécio disse que o tema não prejudica "em nada" sua campanha. "Eles [PT] diziam que iam fazer o diabo [na campanha]. Estão fazendo. Estou muito tranquilo, preparado para o embate onde ele se dê. Mas não vou cair na armadilha de desviar o meu foco, que é apresentar propostas para o Brasil."

A construção do aeroporto ocorreu quando Aécio estava em seu segundo mandato como governador de Minas. A Folha de S.Paulo revelou que o aeroporto de Cláudio foi construído num terreno do tio-avô de Aécio, Múcio Tolentino, desapropriado pelo Estado. Minas gastou quase R$ 14 milhões na obra.

CARDOZO

Aécio também criticou pedido dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luiz Inácio Adams para adiar o julgamento, pelo TCU (Tribunal de Contas da União), do processo que apurava prejuízo na compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras. O caso foi revelado hoje pela Folha.

O PSDB estuda ingressar com ação contra os ministros por intercederem em favor de Dilma, que acabou inocentada pelo TCU. Na época da compra da refinaria, em 2006, a petista presidia o Conselho de Administração da Petrobras que avalizou o negócio.

"É algo absolutamente grave. Estamos examinando se cabe uma ação jurídica. Essa campanha foi judicializada porque o PT não sabe separar o público do privado, porque a presidente não dá o exemplo lá de cima."

O pedido dos ministros ocorreu um dia antes do julgamento do caso. Cardozo acompanhou Adams, que tinha audiência previamente agendada com o presidente do órgão, ministro Augusto Nardes. A visita do ministro da Justiça não estava prevista.

Adams alegou querer mais prazo para defender a Petrobras, mas o relator, ministro José Jorge, não atendeu o pedido e votou o processo na quarta-feira (23).

Aécio disse que o episódio reforça sua tese em defesa do fim da reeleição no país. "Essa coisa toda levou aos desatinos do PT nos últimos anos."

O candidato passou a tarde em Brasília reunido com assessores, se preparando para sabatina que será realizada nesta quarta-feira (30) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com os presidenciáveis. Além de Aécio, Dilma e Eduardo Campos (PSB) participam da sabatina.

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