Presidente do Santander diz que analista foi demitido

Economista foi o responsável pelo informe econômico que sugeria deterioração da economia brasileira caso Dilma melhorasse nas pesquisas eleitorais

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Extrato. Texto sobre os reflexos da reeleição de Dilma Rousseff na economia foi divulgado em extrato mensal de correntistas “select”
Reproducao / Santander
Extrato. Texto sobre os reflexos da reeleição de Dilma Rousseff na economia foi divulgado em extrato mensal de correntistas “select”

O analista responsável pelo informe econômico do Santander que sugeria deterioração da economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff (PT) mostre melhor desempenho nas pesquisas eleitorais já foi demitido, anunciou nesta terça-feira (29), o presidente global do banco espanhol, Emilio Botín. O executivo, porém, não forneceu mais detalhes, nem disse se mais pessoas serão punidas.

"A pessoa foi demitida porque o banco, advertido, disse que deveria demiti-lo, uma vez que (o analista) agiu mal", resumiu. O presidente global do Santander destacou que o analista não tinha autorização para emitir o relatório e chamou o episódio de "falha" e "coisa mal feita".

Botín também se esquivou de tecer comentários sobre as declarações da presidente Dilma, que nesta segunda-feira, 28, classificou a resposta do banco como "protocolar" e disse ser "inadmissível" que o mercado financeiro interfira na atividade eleitoral. Visivelmente incomodado com os questionamentos sobre o caso, ele se limitou a reafirmar que o informe, enviado a clientes do segmento Select (renda mensal superior a R$ 10 mil mensais) por meio do extrato bancário, não reflete a opinião do banco.

"A opinião foi de um analista, não é a opinião do banco Santander", ressaltou, durante coletiva à imprensa no III Encontro Internacional de Reitores, no Rio, realizado pelo Santander por meio do projeto Universia.

Após o ocorrido, o presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza, foi encarregado de comunicar ao governo brasileiro que os executivos do banco espanhol estavam "chateados" com o que havia acontecido. Zabalza também enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff, mas seu conteúdo não foi revelado.

"À presidente Dilma, quero dizer-lhe, isso acontece muitas vezes. Imaginem que temos 180 mil funcionários, estamos em dez países importantes. Às vezes acontece isso, e às vezes também acontece com outros bancos", minimizou Botín. O presidente global do Santander não respondeu, contudo, se cogitava encontrar-se com a presidente pessoalmente para tratar do caso.

Mais de 1,1 mil reitores universitários de 33 países participaram nos dois dias de evento, e o Santander anunciou um investimento de 700 milhões de euros em bolsas de estudos internacionais e cooperação tecnológica entre países nos próximos quatro anos - 70 milhões de euros destinados ao Brasil. Apesar disso, nenhuma autoridade do governo federal compareceu. Apenas o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, esteve na cerimônia de encerramento, na tarde de hoje.

Questionado sobre as ausências, Botín disse que gostaria de ter recebido representantes do governo, mas o fato não tirou o brilho do evento. "Perguntem a eles (por que não vieram). Eu não sei", afirmou.

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também havia atacado a instituição financeira, dizendo que o País é o que dá mais lucro ao banco, e que o Santander não entende "porra nenhuma" de Brasil. Mais uma vez, Botín evitou rebater as críticas. "Lula foi um grande presidente, é um grande amigo. Só tenho elogios a ele", desconversou.

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