Mãe diz que não sabia se filho ainda estava vivo quando o pôs no sofá

Ela disse que esperava o encontrar vivo, mesmo após três dias depois de tê-lo colocado, inconsciente - ou já morto - no sofá da casa dos tios da criança

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Mulher demonstrou frieza ao confessar o assassinato do único filho
LINCON ZARBIETTI
Mulher demonstrou frieza ao confessar o assassinato do único filho

Após confessar que matou o próprio filho, o pequeno Keven Gomes Sobral, de apenas 2 anos, a dona de casa Marília Cristiane Gomes, 19, foi apresentada pela Polícia Civil nesta terça-feira (29). Ela será indiciada, inicialmente, por ocultação de cadáver, e o delegado ainda analisa em qual tipo de homicídio ela será enquadrada: se dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar) ou doloso (quando a pessoa quer matar).  Pelo crime, ela deve pegar, no mínimo, oito anos de prisão em regime fechado.

Foi a própria mulher quem chamou a polícia na última sexta-feira (25), comunicando o desaparecimento do filho em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo Gomes, ela estava em casa, lavando roupa e ouvindo rádio enquanto o menino brincava no quarto. Ao notar que o filho estava muito quieto, ela teria ido à rua para procurar a criança e encontrou o portão aberto. Em entrevista ao jornal O TEMPO, na ocasião, a mulher insistia em dizer que a criança havia saído para a rua e que alguém poderia a ter pegado.

No entanto, após os policiais perceberem a frieza de Gomes em relação a notícia da morte do filho, que foi encontrado dentro do sofá da casa dos tios, localizada no mesmo lote que a casa de Keven, nessa segunda-feira (28), eles decidiram pressioná-la um pouco mais. Foi assim que ela acabou confessando o crime, na última vez em que foi chamada para depôr na delegacia.

Segundo o delegado Davi Batista, da Delegacia de Homicídios de Ibirité, ao confessar o crime a mulher não mostrou nervosismo nem remorso, apenas frieza. Ela contou como matou a criança com riqueza de detalhes. Já quanto ao pai de Keven, o comerciante Cláudio Ribeiro Sobral, 31, o delegado praticamente descarta a participação dele no crime. O homem chegou a passar mal e precisou ser carregado pelos policiais ao saber que a mulher havia confessado a morte do único filho do casal.

Em entrevista a uma emissora de televisão, Sobral chamou Gomes de monstro e disse que agora suspeita que ela também foi responsável pelo quase afogamento do filho quando ele tinha apenas 4 meses de idade. O episódio também será investigado pela polícia. Na época, a mulher disse que estava dando banho na criança quando, de repente, passou mal e desmaiou. Keven quase morreu afogado na ocasião e precisou passar dias internado. 

Além disso, o comerciante também lembrou de quando levou a família para visitar a avó da criança, em dezembro do ano passado, e a mulher disse para a criança dar benção a avó, porque aquela seria a última vez que ele a veria. Ele disse que interpretou o ocorrido como uma brincadeira mas, que agora, se lembra da cena de outro modo. 

A prisão

A mulher foi presa em flagrante por ocultação de cadáver, mas o delegado Davi Batista pediu para que a prisão dela seja convertidão de flagrante para preventiva, para que ela fique presa até o julgamento. Caso a Justiça não permita a conversão de sua prisão, a mulher deverá ser solta e irá aguardar o julgamento em liberdade.

O crime

Marília Cristiane Gomes contou à polícia que o assassinato do filho foi um acidente. Ela disse que não queria matá-lo, e que na sexta-feira estava lavando roupas e ouvindo música no seu celular, quando Keven chegou e pegou o celular dela. Enfurecida, a mulher tomou o celular do menino, e ele deu um tapa nela.

Por causa disso, ela foi colocar a criança de castigo na cama e disse que perdeu a noção da força e acertou a cabeça de Keven na parede. Ele caiu desacordado e ela, com medo de ser presa e da reação dos vizinhos, achou melhor esconder o corpo da criança, mesmo sem ter certeza se ele estava morto.

Ela escondeu Keven no sofá da casa dos tios e, quando o caso veio à tona, ela ainda disse que tinha esperança que ele estivesse vivo, mesmo depois de passar três dias preso em um sofá e trancado em um imóvel. A causa da morte foi identificada como sendo traumatismo craniano. 

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