Projetista não foi consultada

Empresa que fez projeto de viaduto nega erro de cálculo na quantidade de aço em bloco abaixo de pilar

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Discordância. Empresa que projetou viaduto descarta erro de cálculo na parte que sustenta estrutura
DENILTON DIAS / O TEMPO
Discordância. Empresa que projetou viaduto descarta erro de cálculo na parte que sustenta estrutura

Mesmo diante dos riscos que rondam a alça que restou do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, a Prefeitura de Belo Horizonte não consultou a empresa Consol, responsável pelo projeto da estrutura que desabou no dia 3 deste mês, deixando dois mortos. A única versão que o Executivo tem para embasar a retirada dos moradores dos prédios vizinhos à estrutura e a demolição da alça é o parecer técnico da construtora Cowan, executora da obra. O estudo foi, inclusive, contestado pela perícia da Polícia Civil. Segundo a Consol, todos os viadutos recém-construídos na via foram projetados com a mesma metodologia de cálculo do único deles que caiu. O documento elaborado pela construtora sugere a demolição alegando que a estrutura estaria condenada pelo erro de cálculo que dimensionou pouco aço no bloco abaixo do pilar de sustentação do viaduto. Já a projetista diz que o problema não existe porque a peça tem composição rígida e, portanto, possui mais concreto que ferragens. Questionado pela reportagem, o diretor-presidente da Consol, Maurício de Lana, afirmou que a prefeitura não buscou ter o parecer dos projetistas sobre a definição da Cowan. A empresa é que tomou a iniciativa de enviar nota ao Executivo com a contestação. Mudança. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, informou, por meio da assessoria, que a demolição ainda está em estudo e não tem data prevista. Na semana passada, a prefeitura afirmou que o serviço seria feito em caráter de urgência. Agora, a pasta sinaliza que deve esperar o laudo da Polícia Civil. O diretor do Instituto de Criminalística, Marco Antônio Paiva, ponderou, em coletiva de imprensa na última sexta-feira, que qualquer medida em torno do viaduto seria precipitada. Contrariando o laudo da Cowan, Paiva destacou que o cálculo sobre a quantidade de aço necessária para fazer a armadura de sustentação deve ser feito tendo como base um bloco rígido. Esse tipo de peça pode ter muito mais concreto que ferragem e é utilizado em estruturas dos pilares. A Consol mantém a afirmação de que o cálculo feito por eles está correto e não foi a causa do desabamento. Silêncio Desencontro. A Cowan e a prefeitura não responderam às perguntas da reportagem sobre a demolição do viaduto, a análise da perícia criminal e a segurança do escoramento. 

Saiba mais Apoio. O contrato para apoio técnico gerencial de supervisão de obras incluía trabalhos com revisão de projetos e acompanhamento de todas as etapas e ensaios de controle de materiais. A equipe de trabalho era composta por engenheiros, inspetores, topógrafos e demais técnicos. Problemas. Entre os três viadutos que ficaram de fora do contrato, além do que caiu, o Montese também apresentou deslocamento que teria ocorrido por falha na instalação de uma peça, conforme informou uma fonte ouvida por O TEMPO. O problema foi corrigido.

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