Premiê de Israel alerta que guerra em Gaza será extensa

Dilma Rousseff classificou a situação na região como “massacre” e defendeu cessar-fogo

iG Minas Gerais |

Desespero. Parentes choram ao ver o corpo de Gamal Ielian, 10, uma das nove crianças que morreram ontem, ser levado para o enterro
Adel Hana
Desespero. Parentes choram ao ver o corpo de Gamal Ielian, 10, uma das nove crianças que morreram ontem, ser levado para o enterro

Tel Aviv, Israel. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu nesta segunda que os israelenses se preparem para uma longa operação na Faixa de Gaza. O discurso foi feito no dia em que nove soldados e quatro civis israelenses foram mortos e que um ataque contra um campo de refugiados em Gaza matou 12 palestinos, dos quais nove eram crianças. O dia, que Netanyahu chamou de “doloroso”, foi o segundo de maior número de mortos do lado israelense.

Com isso, chega a 56 o número de mortos em território israelense. Do lado palestino, são mais de mil mortos e 6.000 feridos durante todo o período do conflito (veja o gráfico).

Em discurso na TV, Netanyahu afirmou que a ofensiva só terminará com a desmilitarização de Gaza. Para isso, ele elenca como principal objetivo a neutralização dos túneis que o Hamas e outros grupos radicais fazem para entrar em Israel. “Nós precisamos estar preparados para uma campanha prolongada. Nós continuaremos a atuar agressivamente e com responsabilidade até que a missão termine para proteger nossos cidadãos, soldados e crianças”.

Mais cedo, o chefe de governo criticou o Conselho de Segurança da ONU por pedir uma trégua “imediata e incondicional” ao Israel e ao Hamas. Para ele, a resolução “não responde às exigências de segurança de Israel”.

RESPOSTA. Em resposta ao discurso de Netanyahu, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, disse que as ameaças do chefe de governo israelense não assustam e que Israel “pagará o preço pelos massacres contra civis e crianças”. Na faixa de Gaza, dois ataques terminaram com 12 palestinos mortos, sendo nove deles crianças, e outros 46 feridos. A ação mais grave foi no campo de refugiados de Al-Shatti, onde a explosão de um míssil provocou a morte das nove crianças e deixou 45 feridos.

BRASIL. A presidente Dilma Rousseff declarou nesta segunda que as mortes de crianças de mulheres na Faixa de Gaza, vítimas de ações militares de Israel, é um “massacre”. A presidente ainda disse que as declarações dadas pelo porta-voz da Chancelaria de Israel, Yigal Palmor, de que o Brasil seria um “anão diplomático” produziram um “clima ruim” entre os dois países.

“O que está ocorrendo é uma coisa muito perigosa. Não acho que seja genocídio, mas acho que é um massacre. Uma coisa desproporcional”, disse a presidente, que participou de sabatina promovida pelo jornal “Folha de S.Paulo” na tarde desta segunda. Ela ainda defendeu um cessar-fogo.

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